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← Blog·Oncologia de Precisão22 de junho de 2026

Cemiplimabe em Câncer de Pele: CEC, CBC Avançado e CPNPC — EMPOWER-CSCC, EMPOWER-BCC, EMPOWER-Lung

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Câncer de pele não-melanoma: CEC e CBC avançados — biologia e contexto clínico

Epidemiologia de CEC e CBC: Carcinoma basocelular (CBC) e de células escamosas (CEC) cutâneos são os cânceres mais comuns em humanos — muito mais do que todos os outros cânceres juntos. A vasta maioria é curada por excisão ou radioterapia local. A doença avançada (localmente avançada irressecável ou metastática) era rara mas sem opção terapêutica eficaz até a chegada de novas terapias.

Biologia de CEC cutâneo avançado: CEC cutâneo surge de queratinócitos; precursores: queratose actínica, leucoplaquia. Patogênese dominada por mutações de UV (dano de C→T em dipyrimidinas, assinatura SBS7). TMB extremamente alta (>50 mut/Mb em alguns tumores) — o tumor mais mutado proporcionalmente. TP53 mutado em >90%. CDKN2A perda em ~40%. Alterações de PI3KCA em ~20%.

Alta TMB + alta carga mutacional → muitos neoantigênios → inflamação tumoral → resposta a PD-1/L1. CEC cutâneo é um dos tumores mais responsivos a imunoterapia por isso.

Biologia de CBC: CBC surge de células-tronco basais, regulado pela via Hedgehog (PTCH1/SMO). PTCH1 é inativado em >80% dos CBC (inibição da sinalização Hh) ou SMO está ativado. Via Hedgehog: PTCH1 normalmente inibe SMO → SMO ativa Gli1/2 → expressão de genes de proliferação. Inibidores de SMO (vismodegibe, sonidegibe) bloqueiam isso. TMB em CBC: alta (UVB), mas menor que CEC. Resposta a imunoterapia após falha de hedgehog: ~31% (cemiplimabe EMPOWER-BCC).

EMPOWER-CSCC: cemiplimabe no carcinoma de células escamosas cutâneo avançado

EMPOWER-CSCC-1 (Migden et al., Lancet Oncol 2018 e NEJM 2018): Estudo de braço único (fase II) em CEC cutâneo metastático ou localmente avançado irressecável. Cemiplimabe 3 mg/kg q2sem (350 mg q3sem na extensão).

Coorte 1 (CEC metastático): 59 pacientes. ORR: 47,5%. CR: 4%. PR: 43,5%. SLP mediana: NR. Algumas respostas durando 2+ anos. Coorte 2 (CEC localmente avançado): 78 pacientes. ORR: 43,6%. CR: 13% (incluindo conversão para ressecável em alguns).

Sem critério de PD-L1 — todos incluídos independente de expressão. Benefício visto em CEC com e sem PD-L1 elevado.

Aprovação FDA: setembro 2018 para CEC cutâneo metastático ou localmente avançado irressecável que não é candidato a cirurgia curativa ou RT curativa.

EMPOWER-CSCC-4 (fase III vs. quimio): Em andamento. CEC cutâneo pré-CSCC-1 era tratado com platina+5FU ou metotrexato (resposta ~15-30%). Cemiplimabe como 1ª linha vs. quimio é o próximo passo.

Pembrolizumabe em CEC cutâneo: KEYNOTE-629 (fase II): ORR 34% em CEC cutâneo recorrente/metastático. Aprovação FDA junho 2020. ORR menor que cemiplimabe (34% vs. 47%), mas populações diferentes e sem comparação direta. Ambos aprovados; escolha por disponibilidade/custo.

Relevância no Brasil: CEC cutâneo é extremamente prevalente no Brasil (alta exposição UV, pele clara em populações do Sul/Sudeste). Cemiplimabe (Libtayo) tem aprovação ANVISA. Impacto potencial alto em doença localmente avançada que antes não tinha opção além de cirurgia mutilante ou RT.

EMPOWER-BCC: cemiplimabe no carcinoma basocelular pós-hedgehog

CBC avançado pós-hedgehog — o nicho: Vismodegibe e sonidegibe (inibidores de SMO) são aprovados para CBC localmente avançado e metastático. ORR ~30-50%, mas respostas não-duráveis e toxicidade por privação de Hh crônica (câibras musculares em 70%, alopecia, disgeusia, perda de peso). Após progressão ou intolerância a hedgehog: sem opção aprovada.

EMPOWER-BCC-1 (Stratigos et al., Lancet Oncol 2021): 84 pacientes com CBC localmente avançado que falhou ou foi intolerante a vismodegibe/sonidegibe; 28 com CBC metastático.

Coorte 1a (CBC localmente avançado, 350 mg q3sem): ORR: 31% (CR: 21%, PR: 10%). Impressionante para CBC — especialmente CR de 21%.

Coorte 1b (CBC localmente avançado, 3 mg/kg q2sem): ORR: 29%.

Coorte 2 (CBC metastático): ORR: 21% (menor, mais difícil de tratar).

Aprovação FDA: julho 2021 para CBC localmente avançado ou metastático que progrediu ou não tolerou inibidores de SMO.

Sem PD-L1 obrigatório: CBC tem alta TMB mas PD-L1 baixo (diferente de CEC). A resposta a cemiplimabe em CBC não correlaciona com PD-L1 — correlaciona mais com TMB e infiltrado imune basal. A aprovação não exige PD-L1 positivo.

Futuro em CBC: Combinação de cemiplimabe+vismodegibe: em estudo (racionalidade: hedgehog ativa imunossupressão local — bloqueio de SMO + desbloqueio de PD-1 = potencialmente sinérgico). EMPOWER-BCC1L trial ongoing.

EMPOWER-Lung 1 e 3: cemiplimabe em CPNPC PD-L1 alta expressão

EMPOWER-Lung 1 (Sezer et al., Lancet 2021) — CPNPC PD-L1≥50%, 1ª linha: 710 pacientes com CPNPC avançado não-escamoso/escamoso, PD-L1≥50%, EGFR/ALK wild-type. Cemiplimabe 350 mg q3sem vs. quimioterapia (platina+taxano).

Resultados: SG: 22,1 vs. 14,3 meses (HR 0,68; P=0,0022). SLP: 8,2 vs. 5,3 meses. ORR: 39,2% vs. 20,4%. Benefício consistente em escamoso e não-escamoso com PD-L1≥50%.

Cruzamento (crossover): Pacientes do braço quimio podiam cruzar para cemiplimabe na progressão — limitou a magnitude da diferença de SG mas mesmo assim significativa.

Aprovação FDA: fevereiro 2021 para CPNPC PD-L1≥50%, EGFR/ALK WT, sem quimio prévia.

EMPOWER-Lung 3 (em andamento) — combinação com quimio: Cemiplimabe+quimio vs. quimio em CPNPC PD-L1 qualquer. Dados preliminares positivos. Expandiria indicação para PD-L1 qualquer, similar a pembrolizumabe+quimio (KEYNOTE-189/407).

Posição vs. pembrolizumabe em CPNPC PD-L1≥50%: KEYNOTE-024: pembrolizumabe (ORR 45%, SG HR 0,63) vs. EMPOWER-Lung 1 (ORR 39%, SG HR 0,68). Ambos eficazes mas sem comparação direta — pembrolizumabe é mais amplamente usado por maior volume de dados e 5 anos de follow-up do KEYNOTE-024. Cemiplimabe é alternativa válida com indicação aprovada.

Vantagem logística de cemiplimabe: Dose fixa 350 mg q3sem (não baseada em peso) com duração de 30 minutos de infusão. Similar a pembrolizumabe 200 mg q3sem. Administração conveniente.

Manejo de toxicidades de cemiplimabe: irAEs específicos em skin e pulmão

Perfil geral de cemiplimabe (irAEs — immune-related adverse events): Similar a outros anti-PD-1. Principais: hipotireoidismo (14%), dermatite (12%), colite (9%), hepatite (7%), pneumonite (6%).

Reações cutâneas — particularidade do CEC cutâneo: Em CEC cutâneo e CBC, pode ocorrer reação cutânea intensa no tumor/pele adjacente — eritema, edema, crostas — que pode parecer piora mas é sinal de resposta imune intensa (tumor flare imunológico). Diferenciar de progressão é crucial: biopsia ou acompanhamento 4-6 semanas antes de considerar mudança de terapia.

Pneumonite — em CPNPC: Mais relevante no contexto de pulmão. Cemiplimabe: pneumonite grau 3-4 em ~3,5% (similar a pembrolizumabe). Monitorar DLCO e TC de tórax se sintomas respiratórios. Manejo: suspensão + corticosteroide (prednisona 1 mg/kg) → infliximabe se refratário.

Colite: Diarreia em ~20% (grau 3-4: ~3%). Colite confirmada por endoscopia. Grau 2+: suspender cemiplimabe; corticosteróide 1-2 mg/kg/dia. Infliximabe ou vedolizumabe em refratários.

Endocrinopatias: Hipotireoidismo: mais comum (15-20%). Não exige suspensão — tratar com levotiroxina. Hipofisito (<1%): cefaleias + deficiências hormonais múltiplas → cortisol imediato + suspensão.

Diferença de toxicidade vs. anti-PD-L1 (atezolizumabe/durvalumabe): Anti-PD-L1 teoricamente preserva a via PD-1/PD-L2 (colateral) → menos irAEs imunológicos. Na prática, as diferenças de toxicidade entre anti-PD-1 e anti-PD-L1 são modestas nos ensaios.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Cemiplimabe pode tratar câncer de pele que não é melanoma?+

Sim — cemiplimabe (Libtayo) foi o primeiro tratamento de imunoterapia aprovado especificamente para carcinoma de células escamosas cutâneo (CEC) avançado, em 2018. Depois, foi aprovado também para carcinoma basocelular (CBC) avançado que não respondeu a inibidores de hedgehog. Cânceres de pele não-melanoma (CEC e CBC) têm alta carga mutacional por exposição solar — isso os torna particularmente responsivos a anti-PD-1 como cemiplimabe. CEC cutâneo avançado, antes sem tratamento sistêmico eficaz, agora tem resposta em ~47% dos pacientes com cemiplimabe.

O que é carcinoma basocelular avançado e quando usar cemiplimabe?+

Carcinoma basocelular (CBC) é o câncer mais comum em humanos, geralmente curado por cirurgia ou radioterapia. 'Avançado' significa que não pode ser tratado de forma local (irressecável ou metastático). O primeiro tratamento para CBC avançado são inibidores de hedgehog (vismodegibe/sonidegibe). Quando o tumor progride ou o paciente não tolera esses medicamentos (câibras musculares intensas, perda de peso são comuns), cemiplimabe é a próxima opção aprovada, com ORR de ~31% e respostas completas em 21% dos pacientes — números que antes eram impensáveis para CBC avançado.

Cemiplimabe é opção para câncer de pulmão?+

Sim — em CPNPC (câncer de pulmão de não pequenas células) com expressão alta de PD-L1 (≥50%), cemiplimabe em 1ª linha melhorou a sobrevida global vs. quimioterapia (22 vs. 14 meses), com aprovação FDA em 2021. É uma alternativa a pembrolizumabe para pacientes com CPNPC PD-L1≥50% sem EGFR, ALK ou outras alterações acionáveis. Estudos em curso avaliam cemiplimabe combinado com quimioterapia para expandir a indicação a pacientes com PD-L1 mais baixo, similar aos estudos KEYNOTE-189 e KEYNOTE-407 do pembrolizumabe.

Qual é a diferença entre cemiplimabe e pembrolizumabe?+

Cemiplimabe (Libtayo, Regeneron/Sanofi) e pembrolizumabe (Keytruda, MSD) são ambos anticorpos anti-PD-1 com eficácia comparável em indicações sobrepostas (CPNPC PD-L1≥50%, CEC cutâneo). A principal diferença prática está nas indicações aprovadas: pembrolizumabe tem o maior portfólio (melanoma, CPNPC múltiplas indicações, CEC H&N, endométrio, gástrico, CEC cutâneo, TMB-H tumor-agnóstico, etc.); cemiplimabe tem portfólio mais focado (CEC cutâneo, CBC, CPNPC PD-L1≥50%). Na escolha entre os dois para indicações sobrepostas, fatores de acesso, custo e experiência local geralmente decidem.

CEC cutâneo pode virar metastático?+

Sim, embora isso seja incomum (~3-5% dos casos). Fatores de risco para CEC cutâneo de alto risco ou metastático: tamanho >2 cm, invasão >2 mm de profundidade, invasão perineural, localização em orelha/lábio, paciente imunossuprimido (transplantados, HIV, LLCB). Quando o CEC metastatiza (geralmente para gânglios linfáticos regionais e depois órgãos), a cirurgia pode não ser curativa. Cemiplimabe e pembrolizumabe são as opções aprovadas nesses casos, com respostas em 35-47% — uma mudança enorme para uma doença que antes não tinha tratamento sistêmico eficaz.

Referências Científicas

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Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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