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← Blog·Oncologia de Precisão25 de julho de 2026

Carcinoma de Células Renais (CCR) 1ª Linha: Combinações IO+TKI — KEYNOTE-426 (Pembro+Axitinibe), CheckMate-9ER (Nivo+Cabo), CLEAR (Lenva+Pembro) vs. Sunitinibe e Pazopanibe

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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CCR — subtipos histológicos, biologia molecular e fator prognóstico de IMDC

Classificação histológica de CCR: Células claras (ccRCC): ~75-80% dos CCR. VHL frequentemente mutado/silenciado. Mais estudado e onde quase todos os grandes ensaios foram realizados. Papilar tipo 1 (pRCC1): MET-driven (~90% mutação germline ou somática de MET). Crizotinibe, savolitinibe em estudo. Papilar tipo 2 (pRCC2): heterogêneo. FH (Fumarate Hydratase) mutação em HLRCC (síndrome de leiomiomatose hereditária). Bevacizumabe + erlotinibe em pRCC (ASPEN fase II). Cromófobo (chRCC): ~5%. Mutações em complexo cromossômico, TP53, PTEN. Sem alvo aprovado. mTOR raramente ativo. Oncocitoma: benigno (sem tratamento). Coexiste com chRCC em "tumor híbrido oncocítico/cromófobo". Outros: sarcomatoide dedifferentiation (qualquer subtipo → pior prognóstico, responde melhor a IO).

Biologia molecular ccRCC — via VHL/HIF/VEGF: VHL: gene supressor tumoral em 3p25. Mutação biallélica (perda de heterozigosidade 3p + mutação somática) em ~80% dos ccRCC esporádicos. VHL loss → acúmulo de HIF-1α e HIF-2α → transcrição de VEGF-A, PDGF-B, EPO, TGF-α, carbonic anhydrase IX (CAIX) → angiogênese, proliferação. Síndrome de VHL hereditária: angiomas retinianos, hemangioblastomas cerebelares + CCR bilateral de células claras. HIF-2α (EPAS1): o principal isoforma de HIF em ccRCC (vs. HIF-1α em tumores hipóxicos genéricos). HIF-2α → ativa VEGF, CCND1, EPO, OCT4. Belzutifan (Welireg): inibidor direto de HIF-2α aprovado em CCR VHL-associado (síndrome de VHL) e ccRCC pós-IO+TKI. mTOR pathway: MTOR (mTORC1/mTORC2), PI3K, AKT ativados em ~20-30% → everolimus e temsirolimus (aprovados, mas 2ª linha hoje).

IMDC (International Metastatic RCC Database Consortium) Risk Score: 6 fatores de risco prognósticos: Karnofsky PS <80%, <1 ano do diagnóstico ao tratamento, hemoglobina abaixo do normal, cálcio corrigido acima do normal, neutrófilos acima do normal, plaquetas acima do normal. Favorável: 0 fatores. Intermediário: 1-2 fatores. Alto: ≥3 fatores. SG histórica com sunitinibe: favorável 43,2m; intermediário 22,5m; alto 7,8m. Relevância terapêutica: CheckMate-214 (nivo+ipi) melhor que sunitinibe em intermediário/alto mas equivalente em favorável.

Sunitinibe, pazopanibe e era pré-IO+TKI no ccRCC metastático

TKIs anti-VEGFR como padrão histórico (2006-2019): Sunitinibe (Sutent®, SU11248, Pfizer): multi-TKI VEGFR1/2/3, PDGFR, KIT, FLT3, RET. 50 mg/dia D1-28 q42d (4 semanas on/2 off) OU 37,5 mg/dia contínuo. COMPARZ (Motzer RJ et al., NEJM 2013, fase III): sunitinibe vs. pazopanibe em CCR 1ª linha: SLP 9,5 vs. 8,4m (HR 1,05 — não-inferior); SG: sem diferença. Pacientes IMDC favorável/intermediário. PISCES: preferência do paciente: pazopanibe preferido por melhor QoL e menos fadiga, mas sunitinibe aceitável.

Toxicidade sunitinibe: HAS (40%), hipotireoidismo (25-30%), síndrome mão-pé (30%), diarreia (58%), mucosite, mielossupressão. Pazopanibe (Votrient®, GW786034, GSK/Novartis): VEGFR1/2/3, PDGFR, KIT. 800 mg/dia contínuo. Similar eficácia ao sunitinibe. Hepatotoxicidade em 5-10% (alat elevada). Menos HAS e fadiga vs. sunitinibe. Axitinibe (Inlyta®, Pfizer): VEGFR1/2/3 seletivo, mais potente. 5-15 mg 2×/dia. Baseado em pressão arterial. Cabozantinibe (Cabometyx®, 60 mg/dia): multi-TKI VEGFR, MET, AXL. Aprovado em 1ª e 2ª linha CCR. Everolimus (Afinitor®, mTORC1 inh): 10 mg/dia oral. Aprovado em 2ª linha pós-VEGFR TKI. METEOR: cabozantinibe superior a everolimus em 2ª linha (SG 21,4 vs. 16,5m; SLP 7,4 vs. 3,8m).

IO+TKI em 1ª linha: KEYNOTE-426, CheckMate-9ER, CLEAR e CheckMate-214

Racional IO+TKI: VEGF/VEGFR inibição: reduz supressão imunológica do microambiente tumoral (VEGF suprime maturação de células dendríticas, ativa Tregs, MDSC). TKI anti-VEGFR + anti-PD-1: efeito sinérgico — TKI "aquece" o microambiente tumoral para IO.

KEYNOTE-426 (Rini BI et al., NEJM 2019; atualização 2021, fase III): 861 pacientes ccRCC metastático 1ª linha (todos os riscos IMDC). Pembrolizumabe 200 mg q3w + axitinibe 5 mg 2×/dia vs. sunitinibe 50 mg/dia. SG 24 meses: 74,8% vs. 68,4% (HR 0,68; P<0,001). SLP: 15,4 vs. 11,1 meses (HR 0,71). ORR: 59,3% vs. 35,7%. SG a 42 meses (atualização): 57,5% vs. 47,9% (HR 0,73). Todos os subgrupos IMDC se beneficiam. Aprovação FDA: abril 2019 para ccRCC 1ª linha. Primeiro IO+TKI aprovado para CCR 1ª linha.

CheckMate-9ER (Choueiri TK et al., NEJM 2021, fase III): 651 pacientes ccRCC metastático 1ª linha (todos os riscos IMDC). Nivolumabe 240 mg q2w + cabozantinibe 40 mg/dia vs. sunitinibe. SG HR: 0,60 (P<0,001). SLP mediana: 16,6 vs. 8,3 meses (HR 0,51). ORR: 55,7% vs. 27,1%. Aprovação FDA: janeiro 2021 para ccRCC avançado/metastático 1ª linha. Nota: cabozantinibe inibe VEGFR, MET e AXL — potencialmente maior atividade no microambiente tumoral imunossupressor (AXL é associado a fenótipo supressor).

CLEAR (Motzer R et al., NEJM 2021, fase III) — lenvatinibe + pembrolizumabe: 1069 pacientes ccRCC metastático 1ª linha. Lenvatinibe 20 mg/dia + pembrolizumabe 200 mg q3w vs. sunitinibe (+ 3º braço: lenvatinibe + everolimus). SLP mediana: 23,9 vs. 9,2 meses (HR 0,39; P<0,001). SG a 24 meses: 66,1% vs. 60,4% (HR 0,66; P=0,005). ORR: 71,0% vs. 36,1%. SLP mais longa de todos os estudos de 1ª linha em ccRCC (23,9 meses). Aprovação FDA: agosto 2021. Toxicidade lenva+pembro: alta (grau ≥3: 82%) — hipertensão, diarreia, hipotireoidismo, fadiga, proteinúria. Mais efeitos adversos que axitinibe+pembro ou nivo+cabo. QoL: pior com lenva+pembro vs. sunitinibe.

CheckMate-214 (Motzer RJ et al., NEJM 2018; atualização 2022) — nivolumabe + ipilimumabe: 1096 pacientes ccRCC metastático 1ª linha (todos os riscos IMDC). Nivo 3 mg/kg q3w + ipi 1 mg/kg q3w × 4 doses → nivo 3 mg/kg q2w manutenção vs. sunitinibe. Intermediário/alto risco: SG a 6 anos: 51,6% vs. 24,5% (HR 0,69). ORR 42% vs. 26%. CR 12% vs. 3%. Favorável risco: sem benefício de SG ou SLP — sunitinibe superior! Aprovação FDA: abril 2018 para ccRCC avançado intermediário/alto risco. Única combinação IO+IO aprovada em CCR. Vantagem: uso de ipi somente por 4 doses (e então nivo manutenção sem TKI) — menos toxicidades de TKI crônica. Desvantagem: menos eficaz em favorável.

Escolha de 1ª linha em 2025: Todos os riscos: KEYNOTE-426, CheckMate-9ER, ou CLEAR (pembro+axitinibe, nivo+cabo, ou lenva+pembro). Intermediário/alto risco: CheckMate-214 (nivo+ipi) é opção com maior SG a longo prazo e SG a 6 anos impressionante (51,6% vivos!); mas IO+TKI têm maior ORR (útil para pacientes com doença sintomática que precisam de resposta rápida). Favorável: IO+TKI preferível (nivo+ipi inferior em favorável — sunitinibe era superior).

2ª e 3ª linha em ccRCC — cabozantinibe, nivolumabe, belzutifan e everolimus

2ª linha pós-TKI monotherapy (era pré-IO+TKI ou 2ª linha na prática atual): METEOR (Choueiri et al., NEJM 2015): cabozantinibe vs. everolimus pós-VEGFR TKI: SG 21,4 vs. 16,5m (HR 0,66). → Cabozantinibe superior a everolimus. CheckMate-025 (Motzer RJ et al., NEJM 2015): nivolumabe vs. everolimus pós-VEGFR TKI: SG 25,0 vs. 19,6m (HR 0,73). ORR 25% vs. 5%. → Nivolumabe superior. → Aprovação FDA setembro 2015. AXIS (Motzer et al., Lancet 2011): axitinibe vs. sorafenibe em 2ª linha. SLP 6,7 vs. 4,7m (HR 0,665). → Axitinibe aprovado em 2ª linha CCR.

2ª linha pós-IO+TKI (situação clínica moderna mais relevante): Pós-pembro+axitinibe: cabozantinibe ou lenvatinibe + everolimus. Pós-nivo+cabo: pembro + lenvatinibe (se não usado) ou ensaio clínico. Lenvatinibe + everolimus (Motzer et al., Lancet Oncol 2015, fase II): SLP 14,6 vs. 5,5m vs. 7,4m (lenva+eve vs. eve vs. lenva mono) → lenva+eve aprovado em 2ª+ linha pós-VEGFR TKI (mas agora mais útil pós-IO).

Belzutifan (Welireg®, MK-6482, Merck) — inibidor direto de HIF-2α: Mecanismo: belzutifan se liga ao domínio PAS-B de HIF-2α → bloqueia interação HIF-2α:ARNT (HIF-2α não consegue ativar transcrição de VEGF, CCND1, etc.). Síndrome de VHL: aprovação FDA agosto 2021 para hemangioblastomas renais de VHL + retina. ORR em ccRCC VHL-associado: 49%. LITESPARK-005 (fase III): belzutifan vs. everolimus em ccRCC pós-IO+TKI (≥2 linhas prévias). SLP 5,6 vs. 5,6m (HR 0,75; P<0,001 para SLP). SG HR 0,88 (NS). ORR: 21,9% vs. 3,5%. → Aprovação FDA agosto 2023 para ccRCC pós-IO+TKI. Toxicidade belzutifan: anemia (93% todos os graus; 7% grau ≥3 — HIF-2α ativa EPO; sem HIF-2α → menos EPO → anemia), hipoxia/altitude sickness effect (sem adaptação à altitude por falta de resposta de HIF a baixo O2 → náusea, cefaleia). Não teratogênico como TKIs — cautela em gravidez (HIF-2α essencial para desenvolvimento fetal).

Everolimus (Afinitor® — mTORC1 inibidor): Aprovado em 2ª linha pós-VEGFR TKI. Com a disponibilidade de cabozantinibe e nivolumabe (superiores a everolimus), everolimus ficou na 3ª/4ª linha. Ainda usado no subgrupo CCRCC não-células claras (cromófobo, papilar) onde menos dados existem com IO.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

Qual é a melhor opção de tratamento para câncer renal metastático em 2025?+

Para a maioria dos pacientes com carcinoma renal de células claras metastático, o padrão atual é uma combinação de imunoterapia + inibidor de VEGFR em primeira linha. As três combinações aprovadas são: pembrolizumabe + axitinibe (KEYNOTE-426: 59% de resposta, sobrevida mediana não atingida), nivolumabe + cabozantinibe (CheckMate-9ER: 56% de resposta, SLP de 16,6 meses) e lenvatinibe + pembrolizumabe (CLEAR: 71% de resposta, SLP de 23,9 meses — a maior, mas com mais toxicidade). Para pacientes de risco intermediário ou alto (conforme IMDC), a combinação de dois imunológicos, nivolumabe + ipilimumabe (CheckMate-214), mostrou sobrevida extraordinária a longo prazo — 51,6% dos pacientes vivos após 6 anos — especialmente útil em quem tolera bem imunoterapia e não precisa de resposta imediata. Para pacientes de risco favorável, as combinações IO+TKI são preferidas (nivolumabe+ipilimumabe é inferior nesse subgrupo).

Nivolumabe + ipilimumabe funciona igualmente bem em todos os pacientes com câncer renal?+

Não — e essa distinção é clinicamente muito importante. O estudo CheckMate-214 mostrou que nivolumabe + ipilimumabe é especialmente superior ao sunitinibe (o padrão anterior) nos grupos de risco intermediário e alto (segundo o escore IMDC): 51,6% dos pacientes de risco intermediário/alto viviam aos 6 anos com nivo+ipi, versus apenas 24,5% com sunitinibe — uma diferença dramática. No entanto, em pacientes de risco favorável (sem fatores de risco adversos), sunitinibe era superior ao nivo+ipi no mesmo estudo, especialmente para sobrevida livre de progressão. Por isso, a escolha da terapia de 1ª linha deve considerar o score de risco IMDC do paciente: risco favorável → combinações IO+TKI (pembro+axitinibe, nivo+cabo, lenva+pembro) são preferidas; risco intermediário/alto → nivo+ipi tem vantagem a longo prazo mas IO+TKI têm maior taxa de resposta imediata (útil em doença sintomática que precisa de controle rápido).

O que é belzutifan e como ele funciona diferente dos outros tratamentos para câncer renal?+

Belzutifan (Welireg) é um medicamento completamente novo para câncer renal, com um mecanismo sem precedentes: ele bloqueia diretamente HIF-2α, a proteína que ativa os genes de crescimento tumoral no câncer renal de células claras. Normalmente, quando o gene VHL está mutado (presente em ~80% dos cânceres renais de células claras), HIF-2α se acumula e ativa a produção de VEGF (que estimula vasos sanguíneos do tumor), ciclina D1 (proliferação) e outras proteínas tumorais. Os TKIs (sunitinibe, axitinibe, cabozantinibe) bloqueiam o receptor de VEGF fora da célula, depois que ele já foi secretado. Belzutifan age diretamente dentro do núcleo celular, bloqueando HIF-2α antes que ele ative esses genes — uma abordagem mais 'upstream'. O estudo LITESPARK-005 mostrou que belzutifan era superior a everolimus em 2ª/3ª linha após imunoterapia + TKI, com taxa de resposta de 22% vs. 3,5%. Seu principal efeito colateral peculiar é anemia (HIF-2α estimula produção de eritropoetina — sem HIF-2α, menos glóbulos vermelhos são produzidos).

Como é tratado o câncer renal após progressão à imunoterapia combinada?+

Depois de progredir a combinações de imunoterapia + TKI (que são hoje o padrão de 1ª linha), as opções de 2ª linha dependem do que foi usado antes. Se usou pembrolizumabe + axitinibe em 1ª linha: cabozantinibe, lenvatinibe + everolimus ou belzutifan são opções. Se usou nivolumabe + cabozantinibe: pembrolizumabe + lenvatinibe, sunitinibe ou belzutifan. Se usou nivolumabe + ipilimumabe (sem TKI): combinações com TKI como sunitinibe, pazopanibe, axitinibe ou cabozantinibe são ativos. Uma característica importante do câncer renal é a sensibilidade sequencial a diferentes classes de medicamentos — pacientes que progrediram a TKI ainda podem responder a IO, e vice-versa. A sequência ideal não está totalmente definida por ensaios randomizados, mas o objetivo é maximizar a exposição a ambas as classes ao longo do curso da doença. Belzutifan (inibidor de HIF-2α) oferece agora uma terceira classe mecanisticamente distinta para 3ª linha.

Referências Científicas

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Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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