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← Blog·Oncologia de Precisão25 de julho de 2026

Carcinoma de Esôfago e Junção Esofagogástrica: Nivolumabe Adjuvante (CheckMate-577), KEYNOTE-590 (Escamoso Metastático), Regimes Perioperatórios (FLOT, MAGIC) e IO em 1ª Linha

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Câncer de esôfago — subtipos histológicos, estadiamento e tratamento curativo

Epidemiologia e subtipos: Carcinoma de esôfago: ~600.000 casos/ano mundialmente; 6ª causa de morte por câncer. Dois subtipos principais com epidemiologia e biologia distintas: CEC (carcinoma de células escamosas): predominante na Ásia e África. Associado a tabaco, álcool, ingestão de alimentos quentes. Localização: terço médio e superior. Mais comum em homens com hábitos de tabaco/álcool. AEG (adenocarcinoma esofagogástrico): predominante no Ocidente (RU, EUA). Associado a GERD (refluxo), esôfago de Barrett, obesidade, H. pylori. Localização: terço inferior e JGE (junção esofagogástrica). Crescimento dramático de incidência nas últimas décadas nos países ocidentais.

Estadiamento TNM 8ª ed. e ressecabilidade: Estádio I-III: potencialmente ressecáveis → abordagem multimodal (quimio ± radio + cirurgia). Estádio IV: metastático → sistêmico. cN0 tumores superficiais (T1a, T1b): endoscopia com dissecção submucosa (ESD) → curativa. Ressecção esofágica (esofagectomia de Ivor Lewis, transhiatal): morbidade considerável (fuga de anastomose, complicações respiratórias, disfagia a longo prazo).

Quimiorradioterapia definitiva vs. quimiorradioterapia neoadjuvante: CE irressecável localmente avançado (sem metástase à distância, mas encapsulado em estruturas vitais): CRT definitiva (cisplatina/5-FU + RT 50-50,4 Gy). CROSS (Van Hagen et al., NEJM 2012): CRT neoadjuvante (carboplatina + paclitaxel + RT 41,4 Gy) vs. cirurgia alone em CE localizado. SG: 49,4 vs. 24,0 meses (HR 0,657). pCR: 29% em AEG, 49% em CEC. → CROSS estabeleceu CRT neoadjuvante como padrão em CE localizado ressecável. R0 após CRT+cirurgia: melhor prognóstico. pCR: marcador de prognóstico excelente.

CheckMate-577: nivolumabe adjuvante após CROSS + cirurgia com doença residual

Contexto de CheckMate-577: Após CROSS (CRT neoadjuvante + cirurgia), pacientes que NÃO atingiram pCR (doença residual patológica, ypT1-4 ou ypN+) têm prognóstico ruim — ~70-80% recaem nos primeiros 2 anos. Historicamente, sem tratamento adjuvante aprovado para esses pacientes.

CheckMate-577 (Kelly RJ et al., NEJM 2021, fase III): 794 pacientes CE (AEG ~70%, CEC ~30%) que receberam CRT neoadjuvante (regime CROSS ou similar) + cirurgia e tinham doença residual patológica (R0 mas não-pCR). Nivolumabe 240 mg q2w × 16 semanas → nivolumabe 480 mg q4w × até 1 ano vs. placebo.

SLD (Sobrevida Livre de Doença): nivolumabe 22,4 vs. placebo 11,0 meses (HR 0,69; P<0,001). Dobrou o SLD! SG: HR 0,88 (NS — seguimento insuficiente no análise interim). SLD a 24 meses: 47% vs. 35%.

Benefício por subtipo: CEC: HR 0,61 (maior benefício absoluto). AEG: HR 0,75 (benefício presente mas menor). PD-L1 CPS não prediz benefício de forma clara (contrariamente ao que acontece em outros tumores). Aprovação FDA: maio 2021 para CE pós-CRT+cirurgia com doença residual. → Novo padrão: todos os pacientes com doença residual pós-CROSS devem receber nivolumabe adjuvante × 1 ano.

Toxicidade (nivolumabe vs. placebo): irAEs grau ≥3: 13% vs. 6%. Tireoidite, pneumonite, colite — perfil típico de IO. Qualidade de vida: sem diferença significativa.

Regimes perioperatórios em AEG ressecável — MAGIC, FLOT e RACE

MAGIC (Cunningham et al., NEJM 2006, fase III) — quimio perioperatória ECF: 503 pacientes adenocarcinoma gástrico e GEJ ressecável. ECF (epirrubicina + cisplatina + 5-FU infusional) × 3 ciclos pré-op + × 3 ciclos pós-op vs. cirurgia alone. SG a 5 anos: 36% vs. 23% (HR 0,75; P=0,009). → MAGIC estabeleceu quimio perioperatória como padrão em AEG/gástrico ressecável no RU e outros países europeus.

ECF e variantes: ECF → ECX (capecitabina em vez de 5-FU) → EOX (oxaliplatina em vez de cisplatina) → triplete original manteve-se como padrão por anos.

FLOT4-AIO (Al-Batran SE et al., Lancet 2019, fase III): 716 pacientes adenocarcinoma gástrico e GEJ ressecável. FLOT (docetaxel 50 mg/m² + oxaliplatina 85 mg/m² + leucovorin 200 mg/m² + 5-FU 2600 mg/m² infusão 24h q2w) × 4 ciclos pré-op + × 4 pós-op vs. ECF/ECX × 3+3 ciclos. pCR: FLOT 16% vs. ECF/ECX 6%. SG mediana: 50 vs. 35 meses (HR 0,77; P=0,012). SLP: 30 vs. 18 meses. → FLOT superior ao ECF e tornou-se o padrão preferido para AEG/gástrico ressecável no contexto perioperatório.

Toxicidade FLOT vs. ECF/ECX: maior neurotoxicidade (oxaliplatina), menos náusea, alopecia e nefrotoxicidade (sem cisplatina). 4+4 ciclos vs. 3+3.

CheckMate-577 em perspectiva perioperatória (sequência): CROSS (CRT neoadj) → cirurgia (R0 não-pCR) → nivolumabe adjuvante × 1 ano: padrão para CE (escamoso e AEG) localizado. FLOT perioperatório: padrão para AEG gástrico/GEJ ressecável sem CRT (ou como alternativa a CROSS em AEG GEJ tipo I/II). Nota: CheckMate-577 requer que CROSS-like CRT preceda o adjuvante nivo — não é aplicável a FLOT perioperatório.

NIVOTRIP (CheckMate-649 substudy) e DANTE: nivolumabe + FLOT perioperatório em gástrico/AEG — estudos de fase III em andamento.

IO em 1ª linha metastático (KEYNOTE-590, CheckMate-648) e 2ª linha (ramucirumabe)

KEYNOTE-590 (Sun JM et al., Lancet 2021, fase III) — CE metastático 1ª linha, foco em CEC: 749 pacientes CE (metastático ou localmente avançado irressecável) sem tratamento sistêmico. Pembrolizumabe 200 mg q3w + cisplatina 80 mg/m² q3w + 5-FU 800 mg/m² D1-5 q3w × 6 ciclos → pembrolizumabe manutenção vs. quimio. Análise primária por CPS ≥10 e/ou histologia escamosa: CEC CPS≥10: SG 13,9 vs. 8,8 meses (HR 0,57; P<0,001). ORR 51,0% vs. 22,0%. Todos os pacientes (ITT): SG 12,4 vs. 9,8 meses (HR 0,73; P<0,001). Aprovação FDA: março 2021 para CE (CEC + AEG) metastático ou não-ressecável de 1ª linha — com e sem CPS cutoff. Nota: maior benefício em CPS ≥10 e CEC vs. AEG.

CheckMate-648 (Doki Y et al., NEJM 2022, fase III) — CEC metastático 1ª linha: 970 pacientes CEC esofágico metastático 1ª linha. 3 braços: A: nivolumabe + quimio (cisplatina + 5-FU). B: nivolumabe + ipilimumabe. C: quimio. Nivo+quimio vs. quimio (co-primário PD-L1≥1%): SG 15,4 vs. 9,1 meses (HR 0,54; P<0,001). Todos: HR 0,74. Nivo+ipi vs. quimio (co-primário PD-L1≥1%): SG 13,7 vs. 9,1 meses (HR 0,64). ORR: 28% vs. 18%. → Aprovação FDA maio 2022 para CEC 1ª linha (nivo+quimio ou nivo+ipi em PD-L1≥1%).

Ramucirumabe + paclitaxel (RAINBOW, Wilke et al., Lancet Oncol 2014) — 2ª linha gástrico/GEJ: 665 pacientes adenocarcinoma gástrico/GEJ pós-platina + fluoropirimidina 1ª linha. Ramucirumabe (8 mg/kg q2w) + paclitaxel (80 mg/m² D1,8,15 q4w) vs. paclitaxel. SG: 9,6 vs. 7,4 meses (HR 0,807; P=0,0169). ORR: 27,9% vs. 16,1%. → Aprovação FDA: abril 2014 para AEG gástrico/GEJ pós-platina 2ª linha.

REGARD (Fuchs CS et al., Lancet 2014): ramucirumabe monoterapia vs. placebo em 2ª linha gástrico/GEJ: SG 5,2 vs. 3,8m (HR 0,776) → aprovação FDA como monoterapia 2ª linha gástrico. Opção em pacientes que não toleram paclitaxel.

HER2+ AEG (ToGA, Bang et al., Lancet 2010): trastuzumabe + cisplatina + fluoropirimidina em HER2 IHC 3+ OU FISH amplificado: SG 13,8 vs. 11,1m (HR 0,74) → aprovação FDA. Padrão em HER2+ metastático de 1ª linha. Combinação com KEYNOTE-811 (pembro + trastuzumabe + quimio): aprovado em 1ª linha HER2+ (SG 20,0 vs. 16,8m em análise interim). T-DXd em HER2+ 2ª linha: DESTINY-Gastric01: ORR 51,3% → aprovação FDA.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é o CheckMate-577 e por que mudou o tratamento do câncer de esôfago?+

O CheckMate-577 foi um estudo que testou nivolumabe (imunoterapia) como tratamento adjuvante (preventivo de recaída) em pacientes com câncer de esôfago que fizeram quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia, mas ainda tinham células tumorais residuais na peça cirúrgica (não atingiram pCR — remissão patológica completa). Antes, esses pacientes não tinham nenhum tratamento aprovado após a cirurgia e tinham alta taxa de recaída. O estudo mostrou que nivolumabe por 1 ano após a cirurgia mais que dobrou o tempo sem recaída: 22,4 versus 11,0 meses. Isso significa que imunoterapia pode eliminar células tumorais microscópicas que sobreviveram após a quimiorradioterapia e a cirurgia. É um avanço particularmente importante porque esses pacientes — que passaram por um tratamento tão intensivo e ainda não chegaram à cura — antes não tinham para onde ir. O CheckMate-577 estabeleceu que todos esses pacientes devem receber nivolumabe adjuvante.

Por que existem dois tipos de câncer de esôfago e eles têm o mesmo tratamento?+

Não — carcinoma de células escamosas (CEC) e adenocarcinoma esofagogástrico (AEG) têm origem celular, fatores de risco, distribuição geográfica e perfil molecular distintos, o que influencia o tratamento. CEC: surge das células que revestem o esôfago (mucosa escamosa), fortemente associado a tabaco e álcool, predominante na Ásia e África. AEG: surge de células glandulares, geralmente no esôfago inferior ou junção com o estômago, associado a refluxo crônico (GERD), esôfago de Barrett e obesidade, predominante nos EUA e Europa. Em relação ao tratamento: a quimiorradioterapia neoadjuvante (regime CROSS) funciona bem em ambos, mas pCR é mais frequente em CEC (49%) vs. AEG (29%). A imunoterapia tende a ser mais eficaz em CEC de alta expressão de PD-L1 (CPS ≥10). AEG de junção gastroesofágica frequentemente recebe o mesmo tratamento que gástrico (FLOT perioperatório). HER2 positivo (~15-20%) ocorre predominantemente em AEG e responde a trastuzumabe — raro em CEC.

O que é FLOT e como ele se compara a outros regimes perioperatórios?+

FLOT é um regime de quimioterapia perioperatória (antes e depois da cirurgia) para adenocarcinoma gástrico e de junção esofagogástrica ressecável. A sigla vem dos medicamentos: Fluorouracil + Leucovorin + Oxaliplatina + Taxotere (docetaxel). Dados a cada 2 semanas: 4 ciclos antes da cirurgia para reduzir o tumor, permitir ressecção com margens limpas e tratar micrometástases — e depois 4 ciclos após a cirurgia. Comparado ao regime anterior (ECF — epirrubicina + cisplatina + 5-FU, estudo MAGIC), FLOT mostrou: 16% vs. 6% de remissão patológica completa, e sobrevida mediana de 50 vs. 35 meses — uma diferença expressiva. FLOT tornou-se o padrão perioperatório preferido na maioria dos países. É mais intensivo que ECF (mais docetaxel = mais neuropatia, mais diarreia), mas sem a nefrotoxicidade da cisplatina e com menos náusea. Cada vez mais estudos estão avaliando se adicionar imunoterapia (nivolumabe ou pembrolizumabe) ao FLOT perioperatório melhora ainda mais os resultados.

Existe diferença de tratamento entre câncer de esôfago e câncer de estômago?+

Sim, mas com grande sobreposição, especialmente para adenocarcinomas da junção esofagogástrica. Câncer gástrico puro (> 5 cm acima da cárdia): geralmente manejado como gástrico — FLOT perioperatório se ressecável, quimio sistêmica se metastático. Adenocarcinoma de esôfago distal/JGE (Siewert I, II): zona cinzenta — pode ser tratado como esôfago (CROSS + cirurgia ± nivo adjuvante) ou como gástrico (FLOT perioperatório). Definição de qual protocolo depende da extensão da ressecção planejada (esofagectomia vs. gastrectomia total). Carcinoma de células escamosas do esôfago: sempre tratado como CE — CROSS + cirurgia. Em metastático: os estudos de IO (KEYNOTE-590, CheckMate-648) incluíram tanto CEC quanto AEG de esôfago, e ambos se beneficiam de IO + quimio, mas o benefício é maior no CEC. Os biomarcadores que guiam o tratamento — HER2 amplificação (beneficia de trastuzumabe), PD-L1 CPS (beneficia de IO) — são avaliados em ambos os contextos.

Referências Científicas

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Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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