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← Blog·Oncologia de Precisão13 de julho de 2026

Inibidores de MET em CPNPC MET ex14: Capmatinibe (GEOMETRY Mono-1), Tepotinibe (VISION) e Savolitinibe — Salto de Éxon 14 como Alteração Driver em Câncer de Pulmão

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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MET — biologia, METex14 e amplificação: dois problemas diferentes

MET (Mesenchymal-Epithelial Transition factor) — receptor tirosina quinase: MET (proto-oncogene MET) codifica o receptor de fator de crescimento de hepatócito (HGF/Scatter Factor). Estrutura: domínio extracelular (SEMA, PSI, IPT) + transmembrana + domínio intracelular (tirosina quinase + juxtamembrana). Ligante: HGF (fator de crescimento de hepatócito) → dimerização de MET → autofosforilação → ativação de RAS, PI3K, STAT3 → proliferação, sobrevida, migração, invasão, angiogênese.

Mecanismos de ativação oncogênica de MET:

  1. MET exon 14 skipping (METex14): éxon 14 codifica domínio juxtamembrana com Y1003 → sítio de ubiquitinação para CBL (E3 ubiquitina ligase). Quando éxon 14 é saltado (por mutações nas bordas de splicing do éxon 14): domínio CBL-binding ausente → MET não ubiquitinado → não degradado pelo proteassoma → acúmulo de MET ativo. Prevalência em CPNPC: 3-4% dos adenocarcinomas; mais raro em escamoso. Mais frequente em pacientes ≥70 anos. Ocorrência de mutação METex14 como driver solitário (sem EGFR, ALK, ROS1, RET, KRAS, BRAF) → elegível para TKI MET.
  2. Amplificação de MET: aumento do número de cópias do gene MET. Pode ser primária (rara como driver, ~1-2%) ou secundária (como mecanismo de bypass em resistência a EGFR TKIs — especialmente osimertinibe). MET amp em EGFR+ resistente: ~30-40% dos casos. NÃO é o mesmo que METex14.
  3. Superexpressão de MET: sem amplificação, mas elevada expressão proteica (IHC MET 3+). Potencialmente responsivo a TKI-MET mas dados menos robustos.
  4. Fusões de MET: raras, como MET-KIF5B, TFEB-MET.

Como testar METex14: Painel NGS (DNA ou RNA): melhor. Foundation One CDx: aprovado como companion diagnostic para capmatinibe. RNA-based NGS: mais sensível para detectar alterações de splicing. IHC (superexpressão) e FISH (amplificação): não detectam METex14 — inadequados para selecionar pacientes para TKI-MET específicos.

Capmatinibe (GEOMETRY Mono-1) e tepotinibe (VISION) — aprovações em METex14

Capmatinibe (Tabrecta®, INC280, Novartis): Inibidor seletivo de MET (não-covalente, ATP-competitivo). Dose: 400 mg 2×/dia oral. Aprovado FDA: maio 2020 para CPNPC METex14+ (adultos, 1ª/2ª linha).

GEOMETRY Mono-1 (Wolf et al., NEJM 2020, fase II): 365 pacientes CPNPC METex14+ tratados e não-tratados. Capmatinibe 400 mg 2×/dia. Não-tratados (1ª linha, coorte 5b, n=69): ORR 68%. Duração mediana de resposta: 16,6 meses. Pré-tratados (2ª linha+, coorte 5a, n=99): ORR 41%. Duração mediana: 9,7 meses. Aprovação: maio 2020 (acelerada baseada em estudo de fase II).

MET amplificação alta (MET amp alto vs. baixo em GEOMETRY): Alta amp (≥10 cópias ou GCN ≥10): ORR 40-47% — resposta significativa. Baixa amp: ORR <10% — pouca resposta. Nota: a aprovação do capmatinibe foi apenas para METex14, não para MET amplificação.

Tepotinibe (Tepmetko®, MSC2156119J, EMD Serono): Inibidor seletivo de MET, covalente parcial. Dose: 500 mg/dia oral contínuo. Aprovado FDA: fevereiro 2021 para CPNPC METex14+ adultos.

VISION (Paik et al., NEJM 2020, fase II): 313 pacientes CPNPC METex14+ (biopsia tecidual ou biópsia líquida ctDNA). Tepotinibe 500 mg/dia. ORR por biópsia tecidual (n=255): 46,5%. Duração mediana: 11,1 meses. ORR por biópsia líquida (n=98): 48,6%. Duração mediana: 11,1 meses. Aprovação: fevereiro 2021.

Notável: tepotinibe detectado tanto por tissue biopsy quanto por liquid biopsy (ctDNA) com eficácia similar → biópsia líquida aceitável para seleção de pacientes.

Comparação capmatinibe vs. tepotinibe: Sem head-to-head. ORR similar (41-68% vs. 43-46%). Diferentes esquemas de dose. Tepotinibe 1×/dia vs. capmatinibe 2×/dia. Toxicidades similares: edema (muito característico — edema periférico em 50-60% de todos graus), náusea, aumento de creatinina, aumento de amilase/lipase.

MET amplificação como resistência ao osimertinibe e novas estratégias

MET amplificação em resistência a EGFR TKIs: Após progressão ao osimertinibe (3ª geração EGFR TKI): MET amplificação em 15-30% dos casos. Mecanismo: bypass de EGFR via MET → sinalização PI3K/AKT/ERK independente de EGFR. MET amp = "third way" (além de EGFR C797S e histological transformation) de escapar ao osimertinibe.

Ao mesmo tempo, METex14 pode co-ocorrer com EGFR mutação (raro mas documentado) — nesse caso, tratamento de METex14 + EGFR pode ser necessário.

Combinações TKI EGFR + TKI MET em EGFR+ resistente MET amp: SAVANNAH: osimertinibe + savolitinibe (MET inh) em EGFR+ pós-osimertinibe com MET amp. ORR ~49% com MET expressão alta (3+ IHC). Savolitinibe: inibidor MET aprovado na China. TATTON (osimertinibe + savolitinibe): dados de fase Ib. ORCHARD: osimertinibe pós-resistência, múltiplos braços incluindo + savolitinibe. Estratégia racional mas ainda sem aprovação em MET amp EGFR-resistente. ConfidEnt: capmatinibe + osimertinibe em CPNPC EGFR+ MET amp pós-resistência — fase III em andamento.

Resistência adquirida a capmatinibe/tepotinibe (METex14): Mutações de gatekeeper: MET Y1230H/C/D, D1228H/N — afetam ligação do inibidor. MET amplificação (paradoxalmente, amp de MET pode emergir pós-TKI-MET). Bypass vias: KRAS mutação, EGFR amplificação emergindo como mecanismo de escape. Savolitinibe: pode ter atividade em mutações resistência específicas de MET.

Perspectivas: Bispecífico anti-MET/EGFR (amivantamab coberto em C297): aprovado em CPNPC EGFR exon 20 insert + MET amp pós-platina. Amivantamab (anti-EGFR + anti-MET bispecífico): cobre ambos os alvos — potencialmente útil em EGFR-mutado MET-amp resistente. MARIPOSA: amivantamab + lazertinibe vs. osimertinibe em 1ª linha EGFR+: SLP 23,7 vs. 16,6 meses — nova opção de 1ª linha em aprovação.

Outros alvos driver em CPNPC — ROS1, NRG1, HER2 exon 20, MET amplificação

ROS1 fusão em CPNPC (~1-2%): ROS1: receptor TK órfão. Fusões com CD74, SLC34A2, EZR, LRIG3. Mais frequente em mulheres, não-fumantes, adenocarcinoma. Crizotinibe (PROFILE-1001): ORR 72%, SLP 19,3 meses — aprovação FDA 2016. Lorlatinibe (fase II): ORR 62% em ROS1+ inclusive pós-crizotinibe. Entrectinibe (STARTRK-2): ORR 66%, com atividade intracraniana — aprovação FDA 2019. Repotrectinibe (ROS1 G2032R resistência principal): ORR 56% global, 91% em ROS1 naive → aprovação FDA novembro 2023 para CPNPC ROS1+.

HER2 éxon 20 inserção em CPNPC (~2-3%): HER2 (ERBB2) éxon 20 inserção: driver oncogênico. Diferente de HER2 amplificação (que responde a trastuzumabe). Insertions do éxon 20 conferem ganho de função mas resistência a cetuximabe/trastuzumabe. T-DXd (DESTINY-Lung02): CPNPC HER2 exon 20 insert pós-quimio. ORR: 57,7%. Aprovação FDA: agosto 2022 para CPNPC HER2-mutado. Mobocertinibe: inibidor covalente EGFR/HER2 exon 20 insert — foi aprovado mas retirado por falha na fase III (EXCLAIM-2). T-DXd permanece padrão em HER2-mutated CPNPC.

MET éxon 14 skiping (já coberto) — características clínicas importantes: Mais frequente em: mulheres, ≥70 anos, fumantes históricos, sarcomatoide variant. Prognóstico pior que EGFR/ALK. Geralmente não co-ocorre com EGFR/ALK/ROS1/KRAS principais.

Sequência de teste molecular em CPNPC metastático: Painel NGS mínimo no diagnóstico (reflexo testing):

  • EGFR (éxon 18/19/20/21) — osimertinibe
  • ALK rearranjo — alectinibe/lorlatinibe
  • ROS1 fusão — entrectinibe/repotrectinibe
  • BRAF V600E — dabrafenibe+trametinibe
  • MET exon 14 — capmatinibe/tepotinibe
  • RET fusão — selpercatinibe
  • NTRK fusão — larotrectinibe/entrectinibe
  • KRAS G12C — sotorasibe/adagrasibe
  • HER2 exon 20 insert — T-DXd
  • PD-L1 TPS (IHC)

Tempo de retorno: idealmente <14 dias (NGS sequencial tem risco de perder células viáveis na biópsia).

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é MET éxon 14 e por que é importante no câncer de pulmão?+

MET éxon 14 skiping (METex14) é uma alteração genética específica em que um pedaço do gene MET (o éxon 14) é omitido na produção da proteína — como se uma 'instrução de parar' fosse apagada. Normalmente, o éxon 14 codifica uma região que sinaliza ao sistema celular para destruir o MET após ele cumprir sua função. Sem essa região, o MET acumula e fica permanentemente ativo, estimulando a célula a crescer sem controle. Essa alteração ocorre em 3-4% dos adenocarcinomas de pulmão, tornando-se um 'driver' — a causa principal do câncer nessas células. A importância clínica é grande: capmatinibe e tepotinibe (inibidores seletivos de MET) são aprovados especificamente para esse grupo, com taxas de resposta de 41-68% — muito melhores que a quimioterapia convencional. O teste de METex14 deve ser feito por sequenciamento genético (NGS) em todos os cânceres de pulmão avançados.

Amplificação de MET é o mesmo que mutação de éxon 14?+

Não — são alterações completamente diferentes com significados terapêuticos distintos. MET éxon 14 skiping (METex14) é uma mutação de splicing que remove uma região de degradação do MET, causando acúmulo permanente da proteína. É um driver oncogênico primário, responde bem a capmatinibe e tepotinibe como monoterapia. MET amplificação é quando há mais cópias do gene MET (geralmente devido a alterações cromossômicas). Como alteração primária, é um driver raro e a resposta a TKI-MET isolado é menor. Mais frequentemente, aparece como mecanismo de resistência adquirida após tratamento com EGFR TKIs (especialmente osimertinibe) em pacientes com câncer de pulmão EGFR mutado — nesse contexto, combinações de EGFR TKI + MET TKI estão em investigação. O teste por NGS distingue entre as duas alterações.

O edema é um efeito colateral esperado dos inibidores de MET?+

Sim — edema periférico (inchaço, principalmente nos membros inferiores, tornozelos e pés) é o efeito colateral mais característico e frequente dos inibidores de MET como capmatinibe e tepotinibe. Ocorre em 50-60% dos pacientes. O mecanismo está relacionado ao papel normal do MET na regulação da integridade vascular — ao inibir MET em células endoteliais dos vasos linfáticos/sanguíneos, pode-se aumentar a permeabilidade vascular. Geralmente é leve a moderado, manejável com diuréticos (furosemida), elevação dos membros, meias de compressão. Raramente leva à descontinuação. Outros efeitos colaterais comuns: aumento de creatinina (cuidado em pacientes com doença renal pré-existente), náusea, fadiga. A seletividade de MET (sem atividade VEGFR ou EGFR) evita muitos efeitos colaterais dos TKIs mais antigos, mas o edema permanece uma peculiaridade da classe.

O que é amivantamab e como atua em MET no câncer de pulmão?+

Amivantamab (Rybrevant) é um anticorpo bispecífico que se liga simultaneamente a dois receptores: EGFR (receptor do fator de crescimento epidérmico) e MET (receptor do fator de crescimento de hepatócito). Ao bloquear ambos ao mesmo tempo, cobre situações em que um tumor usa EGFR como driver principal e MET como mecanismo de escape, ou vice-versa. Aprovado pelo FDA para câncer de pulmão com inserção no éxon 20 de EGFR (uma mutação rara que não responde bem a TKIs comuns), em combinação com quimioterapia ou com lazertinibe (TKI de EGFR). Estudos recentes (MARIPOSA) sugerem que amivantamab + lazertinibe pode ser superior ao osimertinibe sozinho em 1ª linha de EGFR mutado com maior atividade anti-MET — potencialmente reduzindo a resistência via amplificação de MET. A desvantagem são os efeitos colaterais cutâneos (rash acneiforme da EGFR inhibição) e infusionais.

Referências Científicas

  1. . , .
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Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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