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← Blog·Oncologia de Precisão07 de agosto de 2026

Câncer Gástrico/GEJ: Trastuzumabe (ToGA), Ramucirumabe (RAINBOW), Nivolumabe+Quimio (CheckMate-649), Pembrolizumabe (KEYNOTE-811) e Zolbetuximabe (GLOW/SPOTLIGHT, CLDN18.2)

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Biologia molecular do câncer gástrico — subtipagem TCGA e biomarcadores preditivos

TCGA molecular subtypes of gastric cancer (2014): EBV+ (~9%): Epstein-Barr vírus integrado. PD-L1 amplificação (9p24.1), PIK3CA, ARID1A. Alta resposta esperada a anti-PD-1 (alta expressão PD-L1). ARID1A mutação → possível resposta a inibidores de ARID1A. MSI-H (~22%): instabilidade de microssatélite alta. Hipermetilação de MLH1, alto TMB. Alta responsividade a IO. CIN (Chromosomal Instability, ~50%): HER2 amplificado mais frequente, TP53 mutado, FGFR2 ampliado. Mais comum em carcinomas GEJ/cárdia. GS (Genomic Stable, ~20%): RHOA mutado, CDH1 mutado. Difuso histológico. Células em anel de sinete. Mais resistente à IO.

HER2 no câncer gástrico/GEJ: HER2+ (IHC 3+ ou IHC 2+/ISH+): ~15-22% do gástrico/GEJ. ToGA trial: só HER2 IHC 2+/ISH+ ou IHC 3+ se beneficiam de trastuzumabe. Cortes IHC diferentes de mama (IHC 1+ em mama = HER2-low; mas gástrico IHC 1+ = sem benefício de trastuzumabe no ToGA). HER2-low em gástrico: DESTINY-Gastric01 (T-DXd em HER2+ gástrico): ORR 51,3% em HER2 IHC 3+ ou 2+/ISH+ pré-tratados. DESTINY-Gastric02 (fase II, ocidental): ORR 41,8%. Aprovação FDA: 2021 para gástrico HER2+ pós-trastuzumabe. HER2 FISH/IHC + ISH deve ser feito em todos os cânceres gástricos avançados ao diagnóstico.

CLDN18.2 (Claudin 18.2) como alvo: Claudina 18.2: proteína de junção estreita, expressa apenas no epitélio gástrico normal (zona limitada). Em câncer gástrico: hiperexpressão em ~38-43% (IHC ≥2+ em ≥75% das células). Alvo altamente tumor-específico com mínima expressão off-target. Zolbetuximabe (IMAB362, anti-CLDN18.2 mAb): anticorpo monoclonal que liga CLDN18.2 → ADCC + CDC (complement-dependent cytotoxicity) → morte celular. Aprovado FDA: março 2024 para gástrico/GEJ CLDN18.2+ HER2-negativo 1ª linha.

PD-L1 CPS como biomarcador: CPS (Combined Positive Score): número de células PD-L1+ (tumor + imune) / total de células tumorais × 100. CPS ≥1: IO beneficia; CPS ≥5: maior benefício (CheckMate-649, KEYNOTE-811 primariamente HER2+). Guia: ALL gástricos avançados: HER2, PD-L1 CPS, MMR/MSI, CLDN18.2, FGFR2b (bemarituzumabe, investigacional).

ToGA, RAINBOW, CheckMate-649 e KEYNOTE-811 — padrões do gástrico avançado

ToGA (Bang YJ et al., Lancet 2010, fase III) — trastuzumabe + quimio 1ª linha HER2+: 594 pacientes gástrico/GEJ avançado HER2+ (IHC 3+ ou IHC 2+/ISH+). Trastuzumabe 8 mg/kg → 6 mg/kg q3w + cisplatina + capecitabina ou 5-FU vs. quimio sozinha. SG: 13,8 vs. 11,1m (HR 0,74; P=0,0046). ORR: 47% vs. 35%. SLP: 6,7 vs. 5,5m. → Aprovação FDA: outubro 2010 para gástrico/GEJ HER2+ avançado 1ª linha. Subgrupo IHC 3+ ou 2+/ISH+: SG 16,0 vs. 11,8m (HR 0,65) — maior benefício. Subgrupo IHC 2+/ISH- (não selecionado): sem benefício → importância do teste HER2 correto.

RAINBOW (Wilke H et al., Lancet Oncol 2014, fase III) — ramucirumabe + paclitaxel 2ª linha: 665 pacientes gástrico/GEJ pós-1ª linha platina+fluoropirimidina. Ramucirumabe 8 mg/kg q2w + paclitaxel 80 mg/m² q1w × 3/4w vs. placebo + paclitaxel. SG: 9,6 vs. 7,4m (HR 0,807; P=0,017). SLP: 4,4 vs. 2,9m (HR 0,635; P<0,001). ORR: 28% vs. 16%. → Aprovação FDA: novembro 2014. Ramucirumabe + paclitaxel: padrão de 2ª linha. REGARD (ramucirumabe mono vs. BSC, 2ª linha pós-platina): SG 5,2 vs. 3,8m (HR 0,776; P=0,047) — ramucirumabe mono também aprovado (para pacientes não adequados para paclitaxel).

CheckMate-649 (Janjigian YY et al., Nat Cancer 2021, fase III) — nivolumabe+FOLFOX/XELOX 1ª linha: 1581 pacientes gástrico/GEJ/esofágico adeno avançado HER2-negativo. Nivolumabe 360 mg + FOLFOX q2w ou nivolumabe 240 mg + XELOX q3w vs. FOLFOX/XELOX. CPS≥5 (n=955): SG 14,4 vs. 11,1m (HR 0,71; P<0,001). SLP 7,7 vs. 6,0m (HR 0,68). ORR 60% vs. 45%. All-comers (ITT): SG 13,8 vs. 11,6m (HR 0,80; P=0,002). SLP 7,7 vs. 6,9m. → Aprovação FDA: abril 2021 para gástrico/GEJ avançado HER2- (CPS≥5 ou all-comers conforme guidelines).

KEYNOTE-811 (Janjigian YY et al., Lancet 2023, fase III) — pembrolizumabe + trastuzumabe + FOLFOX/XELOX em HER2+ 1ª linha: 698 pacientes gástrico/GEJ HER2+ avançado. Pembrolizumabe 200 mg q3w + trastuzumabe 8→6 mg/kg q3w + FOLFOX ou CAPOX vs. placebo + trastuzumabe + quimio. ORR: 74,4% vs. 51,9% (P<0,001 interim). PFS: 10,0 vs. 8,1m (HR 0,72; P<0,001). SG: 20,0 vs. 16,8m (HR 0,81; P=0,022). CPS≥1: SG 20,1 vs. 16,9m (HR 0,79). CPS≥5: ainda mais favorável. → Aprovação FDA: maio 2021 (acelerada por ORR) → confirmação 2023 com OS benefit. Primeiro triplet (IO + trastuzumabe + quimio) aprovado em HER2+ gástrico.

Zolbetuximabe (CLDN18.2, GLOW/SPOTLIGHT) e perspectivas futuras

SPOTLIGHT (Shah MA et al., Lancet 2023, fase III) — zolbetuximabe + mFOLFOX6 1ª linha CLDN18.2+: 565 pacientes gástrico/GEJ avançado HER2-negativo, CLDN18.2+ (IHC ≥2+ em ≥75% das células). Zolbetuximabe 800 mg/m² q2w (loading 800 mg/m² depois 600 mg/m² após 2 doses) + mFOLFOX6 vs. placebo + mFOLFOX6. SLP: 10,6 vs. 8,7m (HR 0,75; P=0,009). SG: 18,2 vs. 15,5m (HR 0,75; P=0,006). → Aprovação FDA: março 2024 para gástrico/GEJ HER2- CLDN18.2+ 1ª linha + FOLFOX6.

GLOW (Xu RH et al., J Clin Oncol 2024, fase III) — zolbetuximabe + CAPOX: GLOW: zolbetuximabe + CAPOX (capecitabina + oxaliplatina) vs. CAPOX em CLDN18.2+ gástrico avançado HER2-. SLP: 8,2 vs. 6,8m (HR 0,68; P=0,0003). SG: 14,4 vs. 12,2m (HR 0,76; P=0,002). → Aprovação FDA: março 2024 (junto com SPOTLIGHT, 2 ensaios de confirmação simultâneos). Toxicidade zolbetuximabe: náusea (82% grau 1-2, 9% grau ≥3) e vômitos (70%) logo após infusão → pré-medicar com antieméticos. Geralmente tolerável com manejo. Hipoalbuminemia (18%).

Seleção de 1ª linha em gástrico avançado (2025): HER2+, CPS qualquer: pembrolizumabe + trastuzumabe + FOLFOX/CAPOX (KEYNOTE-811). HER2-, CPS≥5 e CLDN18.2-: nivolumabe + FOLFOX/CAPOX (CheckMate-649). HER2-, CPS qualquer, CLDN18.2+: zolbetuximabe + FOLFOX6 ou CAPOX (GLOW/SPOTLIGHT). HER2-, CPS<5, CLDN18.2-: FOLFOX/CAPOX + RAM (ramucirumabe): sem IO aprovada com forte benefício → quimio ± ramucirumabe. MSI-H (HER2- ou +): nivolumabe ou pembrolizumabe → benefício especialmente alto em MSI-H. Overlapping: HER2+ E CLDN18.2+: pembrolizumabe+trastuzumabe+quimio (KEYNOTE-811) prevalece. CLDN18.2 + MSI-H: IO provavelmente suficiente (muito alta resposta esperada).

Bemarituzumabe (anti-FGFR2b, FORTITUDE-101): FGFR2b (FGFR2 isoforma b): amplificado em ~30% dos gástricos CIN, superexpresso em ≈7-10%. Bemarituzumabe + FOLFOX vs. FOLFOX em FGFR2b+ gástrico 1ª linha: SLP 7,0 vs. 5,7m (HR 0,73 — NS em fase III). SG: em análise. Sem aprovação até 2025. Infigratinibe (FGFR1/2/3 inibidor oral): em investigação em gástrico FGFR2b+.

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é CLDN18.2 e por que zolbetuximabe é aprovado somente nesse subgrupo?+

CLDN18.2 (Claudina 18.2) é uma proteína de junção estreita que normalmente 'sela' as células do epitélio gástrico, evitando que substâncias passem entre as células. Em tecidos normais, ela fica escondida na parte inferior das células (polo basal), inacessível a anticorpos circulantes. No entanto, quando células se tornam cancerígenas, perdem a polaridade — a CLDN18.2 passa a ser expressa em toda a superfície celular, tornando-se visível e acessível a anticorpos. Isso cria uma janela terapêutica: zolbetuximabe pode se ligar à CLDN18.2 em células tumorais sem atingir as células normais do estômago (onde ela fica escondida). Cerca de 38-43% dos cânceres gástricos têm CLDN18.2 expressa em nível suficiente para responder ao tratamento — o teste é feito por imunoistoquímica (IHC) com corte de ≥2+ em ≥75% das células. Nos estudos SPOTLIGHT e GLOW, a adição de zolbetuximabe à quimio de 1ª linha prolongou a sobrevida em ~3 meses em pacientes HER2-negativos com essa expressão — um benefício modesto mas real em um tumor de difícil tratamento.

Quando se usa nivolumabe e quando pembrolizumabe no câncer gástrico?+

A escolha entre nivolumabe e pembrolizumabe no câncer gástrico depende principalmente do status HER2: HER2-positivo: pembrolizumabe + trastuzumabe + quimio (KEYNOTE-811) — único estudo com essa combinação aprovado. Nivolumabe não foi testado especificamente com trastuzumabe em gástrico HER2+. HER2-negativo: nivolumabe + FOLFOX/XELOX (CheckMate-649) ou, se CLDN18.2+, zolbetuximabe + quimio. Pembrolizumabe (KEYNOTE-590) foi aprovado para adenocarcinoma de esôfago e GEJ, mas CheckMate-649 cobriu mais o gástrico. Uma distinção prática: CheckMate-649 usou FOLFOX e XELOX; se o oncologista prefere um desses esquemas com nivolumabe, essa é a opção. Pembrolizumabe tem dados mais robustos em MSI-H gástrico (KEYNOTE-158). No geral, o maior determinante é a disponibilidade local, cobertura do plano de saúde, e se há necessidade de combinação com trastuzumabe (HER2+) — onde pembrolizumabe é preferido.

O câncer gástrico tem algum teste genético que devo fazer ao diagnóstico?+

Sim — um painel molecular completo deve ser feito em todo câncer gástrico avançado ao diagnóstico, pois vários biomarcadores determinam tratamentos específicos: HER2 (IHC + FISH): positivo (~15-22%) → trastuzumabe + pembrolizumabe + quimio (KEYNOTE-811). PD-L1 CPS (imunoistoquímica): CPS≥5 → nivolumabe + quimio (CheckMate-649) tem maior benefício; CPS<5 → benefício menor. MMR/MSI (IHC MMR ou PCR MSI): MSI-H (~22%) → excelente resposta à IO de 1ª linha, poderia-se considerar pembrolizumabe. CLDN18.2 (IHC): positivo em ~38-43% → zolbetuximabe + FOLFOX/CAPOX em HER2-. EBV (por IHC EBER ou ISH): positivo → alta expressão PD-L1, excelente resposta à IO. FGFR2b (IHC): se amplificado → bemarituzumabe investigacional (sem aprovação ainda). Esses testes, idealmente feitos no material tumoral antes de iniciar qualquer tratamento, definem a melhor estratégia de 1ª linha e podem poupar o paciente de tratamentos ineficazes.

Referências Científicas

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Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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