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← Blog·Oncologia de Precisão20 de junho de 2026

Amivantamabe e Lazertinibe: Bispecífico EGFR-MET e Combinação com OSIMERTINIBE em EGFR Éxon 20 e Resistência (CHRYSALIS, PAPILLON)

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BioPeptídeos Editorial
Equipe Peptídeos Bio
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Bispecíficos em oncologia: modo de ação e vantagens sobre TKIs

Anticorpos bispecíficos — conceito: Um anticorpo bispecífico (bsAb) tem dois domínios de ligação diferentes, podendo se ligar simultaneamente a dois alvos distintos. Em oncologia, há dois paradigmas principais:

  1. Engajamento de células T (ex.: blinatumomabe CD3×CD19): liga célula T a célula tumoral, redireciona citotoxicidade
  2. Bloqueio dual de receptores (ex.: amivantamabe EGFR×MET): bloqueia dois receptores de superfície simultaneamente em células tumorais

Amivantamabe — EGFR×MET bispecífico: Amivantamabe foi desenvolvido para superar um mecanismo central de resistência a EGFR-TKIs: a ativação de MET. Quando EGFR é inibido por osimertinibe/erlotinibe, células tumorais frequentemente amplificam MET para sinalizar independentemente via RAS/PI3K. Amivantamabe bloqueia SIMULTANEAMENTE:

  • Domínio extracelular de EGFR (bloco de ligação de EGF) — sem importar se há mutação
  • Domínio de SEMA do receptor MET (bloco de ligação de HGF)

Mecanismos de morte celular adicionais:

  1. Internalização e degradação de EGFR e MET (downregulation — reduz receptores na superfície)
  2. ADCC (antibody-dependent cellular cytotoxicity): a porção Fc recruta células NK que matam a célula tumoral
  3. ADCP (antibody-dependent cellular phagocytosis): macrófagos fagocitam células marcadas

Por que bispecífico supera TKI em Ex20ins: Inserções no éxon 20 de EGFR (A763_Y764insFQEA, D770_N771insNPG, etc.) criam uma alteração conformacional que mantém EGFR ativo e que BLOQUEIA a ligação de TKIs convencionais (osimertinibe, gefitinibe, erlotinibe — têm dificuldade de acomodação na pocket alterada). Amivantamabe liga-se ao domínio extracelular — independente da conformação intracelular. Logo, funciona em TODAS as inserções no éxon 20.

Inserções no éxon 20 de EGFR: a mutação que ficou sem tratamento

Mutações acionáveis vs. não-acionáveis em EGFR: Historicamente, as mutações de EGFR sensíveis a TKIs são: deleção do éxon 19 (del19) e mutação pontual L858R no éxon 21. Essas são as "classical mutations" sensíveis a gefitinibe/erlotinibe/osimertinibe.

Inserções no éxon 20 (Ex20ins): As inserções no éxon 20 de EGFR ocorrem em ~1-3% dos CPNPCs (cerca de 6.000-8.000 casos/ano nos EUA). São o TERCEIRO tipo mais comum de mutação de EGFR, mas historicamente sem tratamento eficaz específico.

Por que TKIs não funcionam: A inserção no éxon 20 na região de C-helix de EGFR cria um volume estérico adicional no binding pocket de ATP → TKIs convencionais e mesmo osimertinibe têm baixa afinidade para os EGFR-Ex20ins → muito menos eficazes vs. del19/L858R. Clínica: ORR <10% com erlotinibe/gefitinibe em Ex20ins vs. >60% em del19/L858R.

Diversidade das inserções: >100 variantes de Ex20ins descritas. As principais: A763_Y764insFQEA, D770_N771insNPG, V769_D770insASV, H773_V774insH. Cada inserção ocorre em posições ligeiramente diferentes dentro do éxon 20, mas compartilham a resistência a TKIs convencionais.

Mobocertinibe: Único EGFR-TKI desenvolvido especificamente para Ex20ins (FDA 2021). ORR ~28%, DOR 17,5 meses. Aprovação acelerada, mas estudo confirmatório falhou → FDA retirou aprovação em 2023. Amivantamabe e poziotinibe continuam disponíveis.

CHRYSALIS, PAPILLON e MARIPOSA-2: aprovações clínicas do amivantamabe

CHRYSALIS (Park et al., NEJM 2021) — fase I/II, CPNPC Ex20ins: 81 pacientes com CPNPC EGFR-Ex20ins metastático pré-tratados. Amivantamabe IV (1050 mg q2w para <80 kg; 1400 mg q2w para ≥80 kg). ORR: 40%. DOR: 11,1 meses. SLP: 8,3 meses. SG: 22,8 meses.

Aprovação FDA: maio 2021 — amivantamabe para CPNPC adulto com inserções no éxon 20 de EGFR, após progressão em quimioterapia à base de platina. Primeiro aprovado para Ex20ins.

PAPILLON (Passaro et al., NEJM 2023) — fase III, Ex20ins primeira linha: 308 pacientes com CPNPC EGFR-Ex20ins não-tratados. Amivantamabe + quimioterapia (carboplatina + pemetrexede) vs. quimioterapia isolada. SLP: 11,4 vs. 6,7 meses (HR 0,40; P<0,001). ORR: 73% vs. 47%. Aprovação FDA: março 2024 — amivantamabe+quimio como primeira linha para CPNPC EGFR-Ex20ins.

MARIPOSA-2 (Passaro et al., NEJM 2024) — fase III, pós-osimertinibe: 657 pacientes com CPNPC EGFR-mutado (del19 ou L858R clássicos) que progrediram em osimertinibe. Amivantamabe + lazertinibe + quimio (ALCP) vs. quimioterapia isolada. Amivantamabe + lazertinibe (AL) vs. quimio. SLP: ALCP 8,3 meses vs. quimio 4,2 meses (HR 0,44). AL 6,3 meses (HR 0,69). Aprovação FDA: fevereiro 2025 — amivantamabe+lazertinibe para pós-osimertinibe (EGFR-classical + ex20ins).

Amivantamabe subcutâneo (Rybrevant SC): Formulação subcutânea em desenvolvimento para reduzir toxicidade infusional e conveniência. PALOMA-3: SC não-inferior ao IV. Aprovação FDA 2024.

Lazertinibe: EGFR-TKI de 3ª geração parceiro do amivantamabe

Lazertinibe (Leclaza®, Janssen): Lazertinibe é um EGFR-TKI de 3ª geração — mecanismo similar ao osimertinibe (inibidor covalente seletivo para EGFR-mutado e T790M). Foi desenvolvido na Coreia do Sul (Yuhan Corporation) e licenciado para a Janssen.

Características:

  • Seletor para EGFR-mutado (del19, L858R, T790M) vs. EGFR selvagem: similar ao osimertinibe
  • Penetração no SNC: boa — relevante para metástases cerebrais
  • IC₅₀ para EGFR-T790M: <1 nM (comparável ao osimertinibe)

LASER301 (Han et al., NEJM 2023) — lazertinibe vs. gefitinibe em 1ª linha: 393 pacientes com CPNPC EGFR-mutado (del19 ou L858R) não-tratados. Lazertinibe 240 mg QD vs. gefitinibe 250 mg QD. SLP: 20,6 vs. 9,7 meses (HR 0,45; P<0,001). SG: não maduro. Aprovado na Coreia, União Europeia, EUA (2023) como alternativa ao osimertinibe em primeira linha.

MARIPOSA (Park et al., NEJM 2024) — amivantamabe+lazertinibe vs. osimertinibe em 1ª linha: 1.074 pacientes com CPNPC EGFR-mutado (del19 ou L858R). Amivantamabe IV 1050/1400 mg + lazertinibe 240 mg vs. osimertinibe 80 mg. SLP: 23,7 vs. 16,6 meses (HR 0,70; P<0,001). SG: imaturo.

Amivantamabe+lazertinibe supera osimertinibe em SLP em primeira linha — potencialmente muda o padrão de primeira linha. FDA aprovação esperada/em revisão 2025.

Tolerabilidade: A combinação amivantamabe+lazertinibe tem mais toxicidade que osimertinibe isolado: rash, paroniquia, edema, além de reações infusionais do amivantamabe. Seleção de pacientes importante.

Toxicidades do amivantamabe: rash, paroniquia e reações infusionais

Reações relacionadas à infusão (IRR): A toxicidade mais imediata do amivantamabe (IV). Ocorrem em ~66% dos pacientes, quase todas durante a primeira infusão. Grau 3+: ~4%. Manifestações: calafrios, dispneia, rubor, hipotensão, taquicardia — início geralmente nos primeiros 15-30 minutos da infusão. Prevenção: pré-medicação obrigatória (anti-histamínico, corticosteroide, acetaminofeno). Infusão lenta na primeira dose (diluo ao longo de 5h na dose 1, 3h depois). Amivantamabe SC reduz IRR significativamente (razão do desenvolvimento da formulação SC).

Rash/dermatite acneiforme: Presente em ~86% (mais que qualquer EGFR-TKI). O amivantamabe inibe EGFR em células da pele → rash acneiforme similar ao dos EGFR-TKIs. Início 1-2 semanas. Grau 3: ~6-12%. Manejo: doxiciclina profilática 100 mg BID × 6+ semanas (muito recomendado), creme com ivermectina (rosacea cream), hidratante sem álcool.

Paroniquia (inflamação ao redor das unhas): ~45% (grau 3: ~3%). Característico da classe anti-EGFR. Dolorosa e debilitante. Cuidado com unhas, meias de algodão, sapatos folgados, antibiótico local (clortetraciclina) se infectada.

Edema periférico: ~40% (grau 3: ~5%). Relacionado à inibição de MET (similar ao capmatinibe/tepotinibe).

Hipoalbuminemia: ~20% — provavelmente por perda proteica intestinal. Monitorar albumina regularmente.

Neuropatia periférica: ~30% quando combinado com quimioterapia (pemetrexede).

Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

Perguntas Frequentes

O que é inserção no éxon 20 de EGFR e por que é diferente das outras mutações de EGFR?+

As mutações de EGFR mais comuns (deleção do éxon 19 e L858R) respondem muito bem aos medicamentos EGFR-TKI (osimertinibe, erlotinibe). Mas as inserções no éxon 20 ocorrem em uma parte do receptor que muda a forma do 'bolso' onde o medicamento se encaixa — como trocar a fechadura. TKIs convencionais não conseguem se encaixar bem nessa forma modificada, então não funcionam. Amivantamabe resolve isso de forma diferente: não precisa se encaixar no 'bolso' interno — ele gruda na parte EXTERNA do receptor EGFR, e funciona para todas as inserções no éxon 20.

Para que serve o lazertinibe em combinação com amivantamabe?+

Lazertinibe é um medicamento EGFR-TKI (similar ao osimertinibe) que inibe EGFR dentro da célula, enquanto amivantamabe o faz por fora. Juntos, bloqueiam EGFR por duas vias diferentes simultaneamente, tornando muito mais difícil para o tumor desenvolver resistência. Além disso, amivantamabe também bloqueia MET (outro receptor que o tumor usa para escapar). A combinação amivantamabe+lazertinibe mostrou prolongar a resposta em relação ao osimertinibe isolado, tanto em primeira linha (MARIPOSA) quanto após falha ao osimertinibe (MARIPOSA-2).

O rash cutâneo do amivantamabe é sério?+

O rash do amivantamabe é muito frequente (>85% dos pacientes) e incomoda bastante, mas raramente é grave o suficiente para interromper o tratamento. É um efeito acneiforme (parece espinhas, especialmente no rosto e tronco) relacionado à inibição de EGFR na pele. A maioria é grau 1-2. A doxiciclina profilática (antibiótico oral) desde o início do tratamento reduz muito a intensidade. Cuidados com hidratação da pele e protetor solar também ajudam. Informe o oncologista se o rash for intenso — há formas de manejá-lo sem suspender o medicamento.

Amivantamabe pode ser usado se eu já usei osimertinibe e progredi?+

Sim — o estudo MARIPOSA-2 avaliou exatamente isso: pacientes que progrediram após osimertinibe (a principal opção de primeira linha). A combinação amivantamabe+lazertinibe+quimioterapia mostrou o dobro do tempo sem progressão comparado à quimioterapia isolada (8,3 vs. 4,2 meses). Foi aprovada pela FDA em fevereiro 2025 para esse cenário. Se você progrediu em osimertinibe, pergunte ao oncologista sobre essa combinação como próxima linha.

O amivantamabe subcutâneo é tão eficaz quanto o intravenoso?+

Sim — o estudo PALOMA-3 mostrou que amivantamabe subcutâneo não é inferior ao intravenoso em eficácia, com a grande vantagem de reduzir drasticamente as reações de infusão (mais raras e leves com SC). Além disso, a infusão subcutânea é muito mais rápida (minutos vs. horas). Onde disponível, a formulação SC é preferida por conforto e menor risco de reação de infusão.

Referências Científicas

  1. . , .
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Ver Metodologia Editorial para critérios de seleção e classificação das evidências. Ver Política Editorial para padrões de qualidade.

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