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Melanotan II
Estética

Melanotan II

Análogo de alfa-MSH para bronzeamento e função sexual.

Classificação
Análogo cíclico de α-MSH (7 aminoácidos)
Meia-Vida
~30-60 minutos
Pré-clínicoReconstituição: Fácil
Apresentações
10mg Vial
Também conhecido como: Melanotan-2, MT-2, MT-II
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O Que É Melanotan II

O Melanotan II (MT-II) é um análogo sintético cíclico do hormônio estimulador de melanócitos alfa (α-MSH), desenvolvido nos anos 1980 pela equipe do Prof. Mac Hadley e Victor Hruby na Universidade do Arizona como parte de um programa de pesquisa em fotoproteção cutânea. A molécula original, o α-MSH, é um nonapeptídeo endógeno derivado do pré-pró-opiomelanocortina (POMC); sua sequência foi modificada e ciclizada para obter maior potência, estabilidade e resistência à degradação enzimática. Com sete aminoácidos em estrutura cíclica, o MT-II é investigado como sendo aproximadamente 1.000 vezes mais potente que o α-MSH endógeno na ativação de receptores de melanocortina. Diferentemente do bronzeamento por radiação UV, o MT-II estimula a pigmentação cutânea através da ativação do MC1R em melanócitos, promovendo a síntese de eumelanina de forma independente de exposição solar. Por atividade agonista nos receptores MC3R e MC4R hipotalâmicos, o composto também modula o apetite, o gasto energético e a função sexual. Durante os ensaios clínicos de fase I e II para bronzeamento, pesquisadores observaram efeitos sobre a ereção peniana, o que levou ao desenvolvimento do PT-141 (Bremelanotida), análogo mais seletivo aprovado pela FDA em 2019. O MT-II não possui aprovação regulatória e toda a base de evidências em humanos é exploratória. Um estudo computacional publicado em 2026 na revista Pharmaceuticals (Maarfi, Cherkaoui, Afreen et al., PMID 41599712) aprofundou o entendimento do eixo ASIP/MC1R no contexto do risco de melanoma, usando simulações in silico para caracterizar como ASIP (Agouti Signaling Protein) — o antagonista endógeno do MC1R — inibe competitivamente a sinalização MC1R e desvia a melanogênese para feomelanina fotomutagênica. O trabalho propõe que bloquear ASIP (ou ativar MC1R de forma sustentada como o MT-II faz) aumenta eumelanina fotoprotetora, mas levanta questões de segurança sobre a ativação crônica do MC1R — receptor expresso em melanócitos onde variantes de perda de função (red hair color variants R151C, R160W, D294H) estão associadas a maior risco de melanoma. A revisão de Böhm et al. (J Eur Acad Dermatol Venereol 2025, PMID 39082868) catalogou os perfis de benefício versus risco da ativação crônica do MC1R: o saldo é investigado como potencialmente favorável para fotoproteção em indivíduos de pele clara com MC1R funcional, mas incerto para portadores de nevos displásicos ou antecedentes familiares de melanoma — populações nas quais o uso do MT-II é pesquisado com ressalvas de segurança específicas, e por isso toda a pesquisa em humanos permanece em contexto exploratório. Inozemtseva et al. (European Journal of Pharmacology, 2024; PMID 39442746) investigaram os efeitos antidepressivos e antistresse do MT-II em modelo de estresse crônico imprevisível (CUS) em ratos machos. O MT-II demonstrou efeitos antidepressivos-like mensurados por testes de nado forçado e campo aberto, com normalização de marcadores do eixo hipotálamo-hipofisário-adrenal (HPA) — efeito atribuído à ativação de receptores MC4R e MC3R em circuitos hipotalâmicos e do sistema límbico que modulam a resposta ao estresse. O trabalho amplia o espectro farmacológico investigado do MT-II para além do bronzeamento e da função sexual: a ativação de MC4R no núcleo paraventricular e na amígdala é investigada como moduladora da resposta ao estresse crônico, posicionando o eixo melanocortina como objeto de pesquisa pré-clínica em neuropsiquiatria, relacionado mas distinto do desenvolvimento clínico do PT-141 para disfunção sexual. Uma dimensão mecanística inédita dos circuitos MC4R — relevante para a compreensão do perfil metabólico dos agonistas não-seletivos de melanocortina como o MT-II — foi revelada por Matsumura S et al. (FASEB Journal, 2026; PMID 42165391): a proteína OPA1 (Optic Atrophy 1), GTPase mitocondrial responsável pela fusão da membrana mitocondrial interna e pela manutenção das cristas, é um regulador crítico da função dos neurônios MC4R no hipotálamo para o controle da ingestão de gordura dietética e do peso corporal. A deleção condicional de OPA1 especificamente em neurônios que expressam MC4R produziu em camundongos hiperfagia seletiva para gordura, obesidade progressiva e redução do gasto energético — sem afetar ingestão de carboidratos ou sinalização insulínica. Esse fenótipo revela que os circuitos MC4R dependem de saúde mitocondrial ativa (fusão mediada por OPA1) para sustentar a sinalização anorexigênica: quando a dinâmica mitocondrial está comprometida nos neurônios MC4R, a ativação do receptor por agonistas como o MT-II pode perder eficácia na supressão do apetite para gordura. Para o Melanotan II — agonista de alta potência com cobertura MC4R/MC3R — esse contexto implica que populações com disfunção mitocondrial hipotalâmica (envelhecimento avançado, obesidade estabelecida) podem apresentar resposta reduzida ao componente metabólico do MT-II, enquanto o efeito pigmentar (via MC1R periférico) e a atividade sexual (via MC3R/MC4R espinhal) permanecem funcionalmente independentes da integridade mitocondrial hipotalâmica.

✅ Benefícios Estudados

Estimulação de melanogênese (eumelanina) sem necessidade de exposição UV investigada em ensaios clínicos de fase I/II
Fotoproteção cutânea estudada em modelos pré-clínicos de dano UV pela via MC1R/MITF
Modulação de apetite e gasto energético via eixo MC4R hipotalâmico investigada em roedores
Pesquisado para disfunção erétil e libido em ensaios clínicos de fase II (Wessells et al., 2000)
Base para o desenvolvimento do PT-141 (Bremelanotida), aprovado pela FDA em 2019 para desejo sexual hipoativo

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Dias 1-5
Primeiros sinais de bronzeamento e aumento da libido.
2
Semana 1-2
Bronzeamento progressivo e redução do apetite.
3
Semana 3-4
Bronzeamento pleno e efeitos na libido consolidados.

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. Effect of an alpha-melanocyte stimulating hormone analog on penile erection and sexual desire in men with organic erectile dysfunction. Estudo clínico (revisado por pares), 2000.Estudo (Wessells et al.) demonstrou efeito do análogo de α-MSH (MT-II) sobre ereção e desejo sexual em homens com disfunção erétil orgânica. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. An overview of benefits and risks of chronic melanocortin-1 receptor activation. Revisão científica (revisada por pares), 2024.Revisão dos efeitos e riscos da ativação crônica do MC1R (bronzeamento via melanogênese) — relevante para o perfil de risco do Melanotan II. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Melanocortin-4 receptor mutations are associated with obesity in humans. Nature Genetics, 1998.Vaisse et al. e Yeo et al. identificaram mutações do MC4R como causa monogênica de obesidade humana grave, estabelecendo o papel central do eixo MC4R no controle do peso corporal — mecanismo explorado pelo MT-II e PT-141. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. Blocking ASIP to Protect MC1R Signaling and Mitigate Melanoma Risk: An In Silico Study. Pharmaceuticals (Basel) — estudo computacional, 2026.Maarfi F, Cherkaoui M, Afreen S et al. — análise in silico do eixo ASIP/MC1R caracterizando como o antagonista endógeno ASIP desvia a melanogênese para feomelanina fotomutagênica; reforça a relevância do MC1R como alvo do MT-II e as considerações de segurança para portadores de variantes de risco de melanoma. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Journey through the spectacular landscape of melanocortin 1 receptor. Pigment Cell & Melanoma Research (revisão, revisado por pares), 2024.Upadhyay PR, Swope VB, Starner RJ et al. revisaram a biologia estrutural, farmacologia e variantes clínicas do MC1R — receptor primário do Melanotan II na melanogênese — catalogando as mutações de perda de função associadas a cabelo ruivo (R151C, R160W, D294H) e risco elevado de melanoma, e descrevendo como agonistas do MC1R como o MT-II amplificam o sinal eumelanogênico (MITF/tirosinase) de forma dependente do genótipo MC1R do indivíduo, com implicações para a segurança diferencial do composto em populações com variantes de risco. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Dissecting the Impact of α-MSH-MC1R-cAMP Signaling on UVA-Induced Stress in Fibroblasts — Implications for Regulation of Cutaneous Photoaging. Aging and Disease (revisado por pares), 2026.Böhm M, Stegemann A, Wolnicka-Głubisz A et al. investigaram a sinalização α-MSH→MC1R→AMPc em fibroblastos dérmicos expostos à radiação UVA: a ativação desse eixo reduz o estresse oxidativo induzido por UVA e suprime marcadores de fotoenvelhecimento do compartimento dérmico — revelando que a ativação MC1R pelo MT-II pode exercer efeitos fotoprotetores além da melanogênese epidérmica. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Antidepressant-like and antistress effects of the ACTH(4-10) synthetic analogs Semax and Melanotan II on male rats in a model of chronic unpredictable stress. European Journal of Pharmacology (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2024.Inozemtseva LS, Yatsenko KA, Glazova NY et al. demonstraram que o Melanotan II exibe efeitos antidepressivos e antistresse em modelo de estresse crônico imprevisível (CUS) em ratos, com normalização do eixo HPA — ampliando o espectro investigado do MT-II para além de bronzeamento e função sexual, via ativação de MC4R/MC3R em circuitos hipotalâmicos e límbicos de modulação do estresse. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. OPA1 in MC4R Neurons Regulates Dietary Fat Intake and Body Weight in Mice. FASEB journal (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2026.Matsumura S, Fujiwara M, Horie S et al. demonstraram que OPA1 (GTPase de fusão mitocondrial) em neurônios MC4R hipotalâmicos é essencial para a regulação da ingestão de gordura e peso corporal: deleção condicional produziu hiperfagia seletiva para gordura e obesidade — revelando que a função dos circuitos MC4R depende de saúde mitocondrial ativa, o que contextualiza variabilidade de resposta ao MT-II em populações com disfunção mitocondrial hipotalâmica. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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