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Ara-290
Neuroproteção

Ara-290

Peptídeo que ativa o receptor de eritropoetina para proteção neural.

Classificação
Peptídeo não-eritropoiético (11 aminoácidos)
Meia-Vida
~2 minutos (IV); efeitos farmacológicos prolongados
Clínico Fase IIReconstituição: Moderada
Apresentações
16mg Vial
Também conhecido como: Cibinetide, ARA 290, EPO-derived peptide
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O Que É Ara-290

O Ara-290, também denominado cibinetida, é um peptídeo sintético de 11 aminoácidos derivado do domínio helix-B da eritropoietina (EPO). A helix-B da EPO contém resíduos-chave (T63, S68, E72) responsáveis pela interação com o receptor de reparo inato (IRR) — heterodímero composto pelo receptor de EPO (EPOR) e pelo receptor beta comum (βcR, CD131) — sem ativar o receptor homodimérico EPOR clássico, responsável pela eritropoiese. Essa distinção estrutural é o fundamento farmacológico do Ara-290: toda a atividade tecidual e neuroprotetora da EPO, sem o risco de eritrocitose ou trombose associado ao uso de EPO exógena. O IRR é expresso amplamente em tecidos não-hematopoiéticos: neurônios sensoriais, células endoteliais, macrófagos e células do epitélio alveolar. Sua ativação pelo Ara-290 é investigada como mecanismo de proteção e reparação tecidual em múltiplos contextos — especialmente em neuropatias de pequenas fibras, na neuropatia diabética dolorosa e em condições inflamatórias como a sarcoidose. O ensaio clínico de fase II conduzido por Brines et al. (2014) documentou restauração da densidade de fibras nervosas corneanas e redução de sintomas neuropáticos em pacientes com sarcoidose. Um estudo subsequente em diabetes tipo 2 evidenciou melhora no controle glicêmico e nos sintomas neuropáticos. Em modelos experimentais, o Ara-290 demonstra efeitos anti-inflamatórios, anti-apoptóticos e de promoção de sobrevivência neuronal via ativação do IRR, sem influenciar a contagem de eritrócitos. A ativação seletiva do IRR representa um princípio de engenharia molecular: ao eliminar a interação com o EPOR homodimérico, o Ara-290 desassocia as funções eritropoiéticas das funções tecidualmente protetoras da EPO, abrindo uma janela de interesse em neurologia e medicina regenerativa. A base estrutural dessa dissociação foi descrita por Brines et al. (2008, PNAS): os resíduos T63, S68 e E72 da helix-B da EPO são necessários e suficientes para ligação ao IRR, enquanto os resíduos críticos para homodimerização do EPOR (W64, K97, D150) estão ausentes na sequência do Ara-290. O peptídeo retém apenas os resíduos da helix-B com modificações para estabilidade em plasma, perdendo inteiramente a capacidade de induzir eritropoiese — confirmada pela ausência de elevação de hematócrito ou hemoglobina em todos os estudos de fase 1/2 publicados. Uma aplicação translacional particularmente promissora é o uso do Ara-290 como instrumento de pesquisa clínica para monitorar a neuropatia de pequenas fibras via microscopia confocal da córnea: as fibras nervosas subbasais corneanas são inervadas pelas mesmas fibras Aδ e C afetadas na pele e vísceras em neuropatias periféricas, e o Ara-290 demonstrou restaurar a densidade dessas fibras (aumento médio de ~29% em 4 semanas no ensaio em sarcoidose), oferecendo um endpoint objetivo, não invasivo e mensurável. Esse endpoint possui implicações além da sarcoidose: a neuropatia de pequenas fibras está presente em diabetes tipo 2, fibromialgia e síndromes inflamatórias sistêmicas, tornando o Ara-290 investigável em múltiplas indicações por um mecanismo IRR comum. Uma revisão de 2024 (Liu G et al., International Immunopharmacology — PMID 38943972) consolidou o espectro de neuroproteção de peptídeos derivados da EPO em lesões de nervos periféricos: os fragmentos não-eritropoiéticos — incluindo o Ara-290 — ativam o heterodímero EPOR/βcR por uma interface de ligação distinta da do EPOR homodimérico, recrutando JAK2/STAT5 e PI3K/Akt seletivamente nos tecidos periféricos que expressam βcR (neurônios sensoriais, macrófagos, endotélio vascular), enquanto o bone marrow e as células progenitoras eritroides que expressam predominantemente EPOR homodimérico permanecem não-estimulados. Esse perfil de seletividade de receptor explica por que o Ara-290 não eleva reticulócitos ou hemoglobina mesmo em altas doses investigadas em ensaios clínicos, ao contrário da EPO recombinante em doses analgésicas hipotéticas. Para a neuropatia de pequenas fibras em particular, o βcR é expresso em neurônios das raízes dorsais (DRG) e no gânglio do trigêmeo — tipos celulares diretamente responsáveis pela sensação de dor nas fibras Aδ e C —, fornecendo a base molecular para a especificidade neuroanalgesica do Ara-290 nessa população de pacientes. Hu P, Shen W, Zhou Q et al. (International Immunopharmacology, 2026; PMID 41406833) mapearam as vias EPO/EPOR-βcR/TLR9 na encefalopatia associada à sepse (SAE) — uma das complicações neurológicas mais letais de UTI — demonstrando que a ativação do heterodímero EPOR/βcR (exatamente o IRR, receptor-alvo do Ara-290) em neurônios cerebrais ativa vias anti-inflamatórias e anti-apoptóticas que protegem contra a neuroinflamação sistêmica amplificada pelo TLR9. O estudo revelou que a expressão do βcR no parênquima cerebral (astrócitos, microglia, neurônios) é marcadamente reduzida durante a sepse severa, criando janela de vulnerabilidade para a neuroinflamação mediada por TLR9/NF-κB. A relevância para o Ara-290 é direta: como agonista seletivo do EPOR/βcR que preserva a sinalização protetora sem eritropoiese — a principal limitação da EPO exógena em UTI — o peptídeo emerge como candidato de interesse para investigação em SAE, uma indicação onde a janela de ação do Ara-290 (proteção neuronal via βcR sem risco de trombose) é mecanisticamente diferenciada, expandindo o espectro investigado do Ara-290 da neuropatia crônica de pequenas fibras para a neuroproteção aguda em neuroinflamação sistêmica. Uma expansão recente da biologia da família helix-B da eritropoetina — da qual o Ara-290 é membro — foi demonstrada por Yuan H et al. (International Immunopharmacology, 2025; PMID 40934541): o peptídeo cíclico de helix B (cHBP), análogo estrutural que compartilha o domínio farmacofórico do Ara-290 e do HBSP, atenuou fibrose hepática experimental pela supressão de piroptose mediada por ROS via inibição do inflamassoma NLRP3 e da caspase-1. O resultado expande o espectro anti-fibrótico da classe helix-B: além dos efeitos anti-inflamatórios via receptor innate-repair (EPOR/βcR), variantes cíclicas do mesmo domínio estrutural demonstram proteção celular em fígado lesado por ROS — sugerindo que o Ara-290 e seus análogos investigam um território mais amplo de doenças fibróticas e inflamatórias do que o inicialmente delimitado pelos estudos em neuropatia de pequenas fibras.

✅ Benefícios Estudados

Redução de dor neuropática documentada em ensaios clínicos Fase II em sarcoidose e neuropatia diabética — via supressão de TNF-α/IL-1β/IL-6 nos neurônios sensoriais DRG por inibição de NF-κB
Restauração de densidade de fibras nervosas corneanas (aumento médio de ~29% em 4 semanas) — biomarcador objetivo de regeneração de fibras Aδ/C em ensaio clínico controlado
Efeito anti-apoptótico em neurônios de pequenas fibras via PI3K/Akt/Bad (Ser136) e Bcl-2/Bcl-xL — preservação de neurônios dos DRGs e do gânglio trigêmeo
Melhora de controle glicêmico em diabetes tipo 2 investigada em ensaio Fase II, com redução de HbA1c — atribuída à sinalização IRR em células β e tecidos periféricos insulino-sensíveis
Polarização de macrófagos locais para fenótipo M2 anti-inflamatório/reparo via STAT6/IL-10/TGF-β — suporte à remielinização e resolução da inflamação peri-axonal
Ausência de efeitos eritropoiéticos (sem elevação de hemoglobina, hematócrito ou reticulócitos) em todos os estudos clínicos publicados — perfil de segurança diferencial vs. EPO recombinante em doses analgésicas hipotéticas
Potencial neuroprotetor em neuropatias de pequenas fibras associadas a fibromialgia, sarcoidose e síndromes inflamatórias sistêmicas — via IRR/βcR nos DRGs e gânglio trigêmeo (alta expressão de βcR nesses tipos celulares)

⏱️ Linha do Tempo

Estimativa ilustrativa baseada em estudos pré-clínicos e relatos — varia conforme indivíduo, dose e indicação. Não é garantia de resultado.

1
Semana 1-2
Início da redução da dor neuropática.
2
Semana 3-6
Melhora perceptível da função nervosa e bem-estar.
3
Mês 2-3
Neuroproteção e redução da dor consolidadas.

Artigos sobre Ara-290

Referências Científicas

Fontes das informações desta página. Evidências majoritariamente pré-clínicas, salvo indicação.

  1. ARA 290 improves symptoms in patients with sarcoidosis-associated small nerve fiber loss and increases corneal nerve fiber density. Estudo clínico controlado (revisado por pares), 2013.Ensaio em humanos: ARA-290 (cibinetida) melhorou sintomas de neuropatia de pequenas fibras e regenerou fibras nervosas da córnea em sarcoidose. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  2. ARA 290, a Nonerythropoietic Peptide Engineered from Erythropoietin, Improves Metabolic Control and Neuropathic Symptoms in Patients with Type 2 Diabetes. Estudo clínico (revisado por pares), 2014.Em diabetes tipo 2, o ARA-290 melhorou controle metabólico e sintomas neuropáticos via receptor inato de reparo, sem efeitos eritropoiéticos. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  3. Nonerythropoietic, tissue-protective peptides derived from the tertiary structure of erythropoietin. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2008.Brines M et al. descrevem o princípio estrutural do Ara-290: resíduos T63/S68/E72 da helix-B da EPO são suficientes para ativar o IRR sem homodimerizar o EPOR eritropoiético, fundamento da dissociação funcional do composto. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  4. The protective effect of erythropoietin and its novel derived peptides in peripheral nerve injury. International Immunopharmacology (revisado por pares), 2024.Liu G et al. revisam como a EPO e peptídeos derivados — incluindo o Ara-290 e outros fragmentos não-eritropoiéticos — exercem neuroproteção em lesões de nervo periférico via receptores IRR (EPOR/βcR), ativando vias JAK2/STAT5 e PI3K/Akt anti-apoptóticas e suprimindo NF-κB sem estímulo eritropoiético. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  5. Dapagliflozin for Small Nerve Fibre Regeneration in Diabetic Peripheral Neuropathy: A Randomised Controlled Study (DINE). Journal of the Peripheral Nervous System (ensaio clínico, revisado por pares), 2025.Adhikari U et al. validam a densidade de fibras nervosas corneanas e cutâneas como endpoints objetivos de regeneração de fibras Aδ/C em neuropatia periférica diabética — os mesmos endpoints utilizados nos ensaios clínicos de Ara-290 — consolidando a densidade de fibras nervosas corneanas como biomarcador clínico estabelecido para avaliar agentes regenerativos de pequenas fibras. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  6. Erythropoietin-derived peptide ARA290 mediates brain tissue protection through the β-common receptor in mice with cerebral ischemic stroke. CNS Neuroscience & Therapeutics (estudo pré-clínico, revisado por pares), 2024.Wang RL et al. demonstraram que o Ara-290 ativa o βcR (CD131) no parênquima cerebral de camundongos com AVC isquêmico, recrutando JAK2/STAT3 e PI3K/Akt em neurônios, astrócitos e microglia — reduzindo o volume do infarto e melhorando déficits neurológicos via mecanismo de citoprotecção celular distinto do EPOR homodimérico eritropoiético. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  7. Exploring the EPO/EPOR-βCR/TLR9 pathways in sepsis-associated encephalopathy: Therapeutic implications of EPO and HBSP. International Immunopharmacology (revisado por pares), 2026.Hu P et al. mapearam a via EPOR-βcR (IRR) na encefalopatia por sepse, demonstrando que a expressão cerebral de βcR é suprimida em sepse severa e que a ativação do βcR por peptídeos derivados da helix-B da EPO (classe do Ara-290) restaura a proteção neuronal anti-inflamatória via supressão de TLR9/NF-κB, posicionando o Ara-290 como candidato investigacional para neuroproteção em encefalopatia por sepse. Acessar estudo (PubMed/PMC)
  8. Cyclic helix B peptide alleviates liver fibrosis via attenuating ROS-mediated pyroptosis. International Immunopharmacology (investigação original, revisado por pares), 2025.Yuan H et al. demonstraram que o cHBP — análogo cíclico do mesmo domínio helix-B da EPO que originou o Ara-290 — atenua fibrose hepática experimental via supressão de piroptose mediada por ROS (NLRP3/caspase-1), expandindo o espectro anti-fibrótico e anti-inflamatório da classe helix-B além da neuropatia de pequenas fibras. Acessar estudo (PubMed/PMC)
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