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Vitamina D (25-hidroxivitamina D): valores de referência e como ler o exame

25(OH)D: valores do posicionamento brasileiro de 2020, variação entre métodos e quando o exame é indicado.

Conteúdo informativo: não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de um profissional de saúde.

Em resumo

  • O exame mede a 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], a forma que o fígado produz a partir da vitamina D e que melhor mostra se há quantidade suficiente no organismo, segundo a MedlinePlus.
  • No posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da SBPC/ML (2020), valores de 20 a 60 ng/mL são considerados normais na população geral e abaixo de 20 ng/mL indicam deficiência.
  • O resultado depende do método: em 15 métodos avaliados em 2025, pouco mais da metade teve incerteza de medida dentro do limite desejável, e a diretriz americana de 2024 sugere não medir de rotina sem indicação.

O que o exame mede

A vitamina D vem de três fontes, segundo a MedlinePlus: a exposição da pele ao sol, poucos alimentos que a contêm naturalmente (gema de ovo, fígado, peixes gordos) ou adicionados (cereais, leite e derivados) e suplementos. Antes de o organismo usá-la, o fígado a transforma em 25-hidroxivitamina D, abreviada como 25(OH)D. A maioria dos exames de vitamina D mede essa forma, que a MedlinePlus descreve como a maneira mais exata de saber se há vitamina D suficiente.

Existe outro exame, o da vitamina D ativa (calcitriol ou 1,25-di-hidroxivitamina D), que normalmente não serve para saber se a vitamina D é suficiente; pode ser usado para acompanhar problemas nos rins ou para investigar alterações do cálcio no sangue (MedlinePlus). O resultado pode vir como vitamina D total ou como vitaminas D2 e D3 separadas; a MedlinePlus afirma que o número importante é a vitamina D total, a soma das duas.

A vitamina D ajuda o organismo a absorver o cálcio para formar ossos e dentes saudáveis e contribui para o funcionamento normal de músculos, nervos e sistema imunológico. A deficiência acentuada pode levar a doenças ósseas e a outras condições (MedlinePlus).

Como o exame é usado nas diretrizes

A MedlinePlus informa que o exame costuma ser pedido quando o médico suspeita que uma condição óssea ou outra possa ser causada por vitamina D muito baixa, e que o exame de rotina não é recomendado para todas as pessoas. A página lista quem pode ter o exame pedido: pessoas com osteomalácia, baixa densidade óssea, osteopenia, osteoporose ou raquitismo; pessoas com dor óssea, fraqueza ou dores musculares, ossos moles ou deformados ou fraturas; e pessoas com risco alto de deficiência, como quem raramente expõe a pele ao sol, tem alimentação insuficiente, passou por cirurgia bariátrica, tem doença que dificulta a absorção de nutrientes (doença de Crohn, retocolite ulcerativa, doença celíaca) ou doença renal ou hepática, ou usa medicamentos que afetam a vitamina D, como certas estatinas e medicamentos para controle de peso.

As diretrizes tratam o exame com cautela. A diretriz da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos de 2011 sugeriu medir a 25(OH)D com um método confiável como exame inicial em pessoas sob risco de deficiência e considerou que não havia evidência suficiente para rastrear quem não tem risco (Holick e colaboradores, 2011). A diretriz de 2024 do mesmo grupo, sobre o uso da vitamina D para reduzir o risco de doenças em quem não tem indicação estabelecida, não encontrou evidência de ensaio clínico que sustente o rastreio de rotina da 25(OH)D na população geral, inclusive em pessoas com obesidade ou pele escura, nem evidência clara do nível-alvo necessário para prevenir doenças, e por isso sugere não medir a 25(OH)D de rotina nessas populações (Demay e colaboradores, 2024).

Valores de referência

No Brasil, os valores de referência usados nos laudos seguem em geral o posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), revisado em 2020. A tabela reproduz o que o texto considera normal, deficiente e potencialmente benéfico em situações específicas, com a conversão para nmol/L (1 ng/mL equivale a cerca de 2,5 nmol/L).

25(OH)D: valores do posicionamento SBEM e SBPC/ML (2020)
Valor de 25(OH)DO que o posicionamento diz
Abaixo de 20 ng/mL (menos de 50 nmol/L)Deficiência de vitamina D na população geral
20 a 60 ng/mL (50 a 150 nmol/L)Considerado normal na população geral
Acima de 30 ng/mL (acima de 75 nmol/L)Benefícios potenciais em condições específicas: idade acima de 65 anos, gestação, quedas recorrentes, fraturas por fragilidade, osteoporose, hiperparatireoidismo secundário, doença renal crônica, câncer e uso de medicamentos que afetam o metabolismo da vitamina D
Acima de 100 ng/mL (acima de 250 nmol/L)Risco de intoxicação por vitamina D, condição que pode ameaçar a vida

Fonte: Moreira e colaboradores, 2020 (posicionamento da SBEM e da SBPC/ML). As situações de condição específica e o significado para cada pessoa são avaliados pelo médico. As faixas variam por laboratório e método; use a do seu laudo.

Incerteza de medida da 25(OH)D em 15 métodos (estudo de 2025)
Tipo de métodoResultado do estudo
Cromatografia líquida com espectrometria de massa em sequência (2 métodos)Atenderam todos os critérios de desempenho analítico
Imunoensaios (13 métodos)Pouco mais da metade atingiu a incerteza desejável (até 10%); quatro excederam o limite mínimo aceitável (15%); alguns tiveram viés ou variabilidade entre laboratórios

Fonte: Cavalier e colaboradores, 2025 (17 amostras de pool e 8 de doadores únicos, comparadas ao procedimento de referência da Universidade de Gante, em dois laboratórios). As faixas variam por laboratório e método; use a do seu laudo.

A MedlinePlus informa que os laudos costumam classificar a vitamina D total como deficiente, insuficiente, suficiente ou possivelmente tóxica; os pontos de corte que valem para o seu resultado são os impressos no laudo, e o significado é do médico.

As conferências internacionais de consenso consideram que os ensaios usados para determinar a 25(OH)D continuam sendo um ponto crítico e controverso para definir o estado de vitamina D e que os valores-limite devem ser definidos no contexto de cada doença (Giustina e colaboradores, 2019 e 2020).

O que pode alterar o resultado

O valor da 25(OH)D depende de quanta vitamina D o organismo recebe e transforma, e do método de medida. O que as fontes registram:

  • Fontes de vitamina D: exposição da pele ao sol sem protetor, alimentos que a contêm ou a recebem como adição e suplementos (MedlinePlus). Quem raramente expõe a pele ao sol, por ficar em ambientes fechados, se cobrir, usar protetor solar ou morar onde há pouca luz solar, tem risco maior de deficiência (MedlinePlus).
  • Absorção e transformação: doenças que dificultam a absorção de nutrientes e doenças dos rins ou do fígado, que afetam a transformação da vitamina D em formas utilizáveis, podem baixar o resultado; a cirurgia bariátrica e a desnutrição também estão entre as situações de risco (MedlinePlus).
  • Medicamentos: a MedlinePlus informa que certos medicamentos afetam os níveis de vitamina D, entre eles algumas estatinas e medicamentos para controle de peso, e que os medicamentos e suplementos em uso devem ser informados ao médico antes do exame.
  • Suplementos: o uso de suplementos eleva o resultado e pode levar a valores altos; a MedlinePlus registra que o excesso de vitamina D vindo de suplementos pode prejudicar a saúde, o que é raro.
  • Método do laboratório: a medida da 25(OH)D pode ser pouco confiável mesmo com métodos sofisticados (Giustina e colaboradores, 2019), e a incerteza de medida variou entre imunoensaios e entre laboratórios (Cavalier e colaboradores, 2025).
  • Forma medida: o exame comum mede a 25(OH)D total; a vitamina D ativa (calcitriol) é outro exame, que não serve para saber se a vitamina D é suficiente (MedlinePlus).

Quando procurar um médico

A decisão de pedir e a de interpretar a 25(OH)D cabem ao médico, que considera idade, doenças, medicamentos e sintomas. Segundo as fontes citadas, a avaliação médica é o caminho nestas situações:

  • Sintomas descritos pela MedlinePlus como possivelmente relacionados à falta de vitamina D: dor óssea, fraqueza ou dores musculares, ossos moles ou deformados e fraturas. Em crianças, a MedlinePlus cita o raquitismo, um problema do crescimento dos ossos.
  • Condições que aumentam o risco de deficiência: cirurgia bariátrica, doenças de absorção, doença renal ou hepática e uso de medicamentos que afetam a vitamina D, segundo a MedlinePlus.
  • Suspeita de excesso de vitamina D por suplementos: a MedlinePlus descreve náuseas e vômitos, falta de apetite, constipação, fraqueza muscular e queda do peso corporal como sintomas de excesso, e o posicionamento brasileiro alerta para o risco de intoxicação com 25(OH)D acima de 100 ng/mL (Moreira e colaboradores, 2020).
  • Dúvida sobre se o exame é necessário: a MedlinePlus afirma que o médico indica se o exame é adequado para cada pessoa, e a diretriz de 2024 sugere não medir a 25(OH)D de rotina na ausência de indicação estabelecida (Demay e colaboradores, 2024).

Perguntas frequentes

Qual é o valor de referência da vitamina D no Brasil?

No posicionamento da SBEM e da SBPC/ML (2020), valores de 25(OH)D de 20 a 60 ng/mL são considerados normais na população geral, e abaixo de 20 ng/mL há deficiência. O texto aponta benefícios potenciais com valores acima de 30 ng/mL em condições específicas e risco de intoxicação acima de 100 ng/mL. O laudo traz a faixa do seu laboratório, e o médico interpreta o resultado.

Todo mundo precisa medir a vitamina D?

Não. A MedlinePlus informa que o exame de rotina não é recomendado para todas as pessoas, e a diretriz da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos de 2024 não encontrou evidência de ensaio clínico que sustente o rastreio na população geral e sugere não medir de rotina sem indicação estabelecida. A diretriz de 2011 sugeria o exame em quem tem risco de deficiência. Quem decide é o médico.

Por que o resultado da vitamina D pode mudar de um laboratório para outro?

Porque os métodos têm incerteza de medida diferente. Em um estudo de 2025 com 15 métodos, os de cromatografia com espectrometria de massa atenderam a todos os critérios, mas, entre os 13 imunoensaios, pouco mais da metade atingiu a incerteza desejável de até 10% e quatro passaram do limite de 15%. As conferências de consenso consideram o ensaio um ponto crítico do exame.

Referências

  1. Moreira CA, Ferreira CEDS, Madeira M, et al. Reference values of 25-hydroxyvitamin D revisited: a position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM) and the Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC). Arch Endocrinol Metab. 2020;64(4):462-478. doi:10.20945/2359-3997000000258 PubMed 32813765
  2. Holick MF, Binkley NC, Bischoff-Ferrari HA, et al. Evaluation, treatment, and prevention of vitamin D deficiency: an Endocrine Society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2011;96(7):1911-1930. doi:10.1210/jc.2011-0385 PubMed 21646368
  3. Demay MB, Pittas AG, Bikle DD, et al. Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2024;109(8):1907-1947. doi:10.1210/clinem/dgae290 PubMed 38828931
  4. Cavalier E, Bhattoa HP, Heijboer AC, et al. Assessment of measurement uncertainty of immunoassays and LC-MS/MS methods for serum 25-hydroxyvitamin D. Clin Chem Lab Med. 2025;63(10):1981-1991. doi:10.1515/cclm-2025-0554 PubMed 40785082
  5. Giustina A, Adler RA, Binkley N, et al. Controversies in Vitamin D: Summary Statement From an International Conference. J Clin Endocrinol Metab. 2019;104(2):234-240. doi:10.1210/jc.2018-01414 PubMed 30383226
  6. Giustina A, Adler RA, Binkley N, et al. Consensus statement from 2nd International Conference on Controversies in Vitamin D. Rev Endocr Metab Disord. 2020;21(1):89-116. doi:10.1007/s11154-019-09532-w PubMed 32180081

Fontes oficiais consultadas

  • MedlinePlus (NIH/NLM). Vitamin D Test (atualizada em 04/12/2024). Abrir a fonte (lida em 26/10/2026).

Outros exames

Conteúdo informativo, elaborado a partir das diretrizes e dos artigos científicos citados. Não é laudo, diagnóstico nem orientação de conduta. As faixas de referência variam por laboratório, método, idade e sexo: use sempre a faixa impressa no seu laudo. Quem interpreta o resultado é o médico que conhece o seu histórico. Não use este texto para iniciar, suspender ou ajustar tratamentos.

Texto elaborado pela equipe editorial a partir das fontes citadas, que foram conferidas em 26/10/2026; revisão clínica por profissional: pendente. Próxima revisão editorial prevista: 24/04/2027. Encontrou um erro? Use o link "Contato e correções" abaixo.