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← Blog·Saúde21 de junho de 2026

Endotelina-1 (ET-1): O Vasoconstritor Mais Potente do Organismo e Hipertensão Arterial Pulmonar

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Equipe PeptídeosBio
Equipe Peptídeos Bio
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Endotelina: O Peptídeo Vasoconstritor Mais Potente Conhecido

Em 1988, o grupo de Masashi Yanagisawa no Japão isolou da cultura de células endoteliais bovinas um peptídeo que causava vasoconstrição potente e prolongada — 10 vezes mais potente que a angiotensina II. Chamaram de endotelina.

A descoberta foi um marco: mostrou que o endotélio não é apenas uma barreira passiva, mas um órgão endócrino ativo que secreta vasoconstritores (endotelinas) e vasodilatadores (NO, PGI2, CNP) em resposta ao ambiente.

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Família das Endotelinas

3 isoformas de endotelina, codificadas por genes diferentes:

  • ET-1: Principal forma vascular — produzida por células endoteliais, células musculares lisas, cardiomiócitos
  • ET-2: Principalmente em rins e intestino
  • ET-3: Principalmente no SNC e trato GI

Todas: 21 aminoácidos com 2 pontes dissulfeto (Cys1-Cys15 e Cys3-Cys11) que criam estrutura de hairpin.

Meia-vida de ET-1: Muito curta na circulação (~5 min) por clearance pulmonar rápido via ETB. Mas os efeitos vasoconstritores são prolongados (horas) porque ET-1 age de forma local (autócrina/parácrina) + internaliza com o receptor.

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Biossíntese de ET-1

Pré-pro-ET-1 (212 aa) → sinal peptídeo removido → Big ET-1 (38 aa) → ECE (Endothelin-Converting Enzyme — metaloproteínas de zinco) → ET-1 (21 aa)

Estímulos para produção de ET-1:

  • Hipóxia: Principal estímulo fisiológico
  • Estresse de cisalhamento (shear stress) BAIXO: (alta velocidade = NO protege; baixa velocidade = ET-1 aumenta)
  • Angiotensina II: Estimula ET-1 (sinergismo SRAA-endotelina)
  • TNF-α, IL-1β: Inflamação → mais ET-1
  • Trombina e endotoxinas
  • Glicose elevada (diabético)

Inibidores de ET-1:

  • NO (nitric oxide): Inibe a transcrição do gene ET-1
  • PGI2 (prostaciclina): Idem
  • Estrogênio: Parcialmente inibe ET-1 (explicação parcial de por que mulheres têm menos doenças cardiovasculares)
  • Glucocorticoides

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Receptores ETA e ETB

ETA (Receptor de Endotelina tipo A):

  • Alta afinidade: ET-1 > ET-2 >> ET-3
  • Localização: Músculo liso vascular (artérias e veias) + cardiomiócitos
  • Sinalização: Gαq → PLC → IP3 → Ca2+ → vasoconstrição + Gαi (crosstalk)
  • Efeitos: Vasoconstrição potente + proliferação de célula muscular lisa + fibrose + hipertrofia cardíaca
  • No coração: Hipertrofia de cardiomiócito + fibrose intersticial (via PKC + MAPK)

ETB (Receptor de Endotelina tipo B):

  • Afinidade similar para ET-1, ET-2, ET-3
  • Localização: Células endoteliais (majoritariamente) + pulmão + SNC + cardiomiócitos (minoria)
  • Sinalização em células endoteliais: Gαi → eNOS → NO (vasodilatação!) E Gαq → COX → PGI2
  • Efeitos em endotélio: Vasodilatação (paradoxo ET1: liga ETB endotelial → vasodilatação/clearance)
  • Efeitos em músculo liso: Vasoconstrição (quando ETB está no músculo liso, em hipertensão pulmonar os ETBs migram para muscular lisa)

O paradoxo ETB: ET-1 em dose baixa → ETB endotelial → NO → vasodilatação; ET-1 em dose alta → predominância de ETA vascular e ETB muscular → vasoconstrição.

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Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) e Endotelina

A HAP é uma doença vascular pulmonar grave e progressiva:

  • Hiperproliferação de células musculares lisas das artérias pulmonares + obliteração vascular
  • Vasoconstrição pulmonar crônica → pressão arterial pulmonar > 20 mmHg em repouso (normal < 20)
  • Hipertrofia do VD → falência do VD → óbito (mediana de sobrevida 2-3 anos sem tratamento)

Papel da endotelina na HAP:

  • ET-1 muito elevada no plasma e tecido pulmonar de pacientes com HAP
  • ET-1 → ETA no músculo liso pulmonar → vasoconstrição + proliferação → remodelamento
  • ET-1 → ETB (migrando para muscular lisa) → mais constrição
  • Loop vicioso: Mais ET-1 → mais espessamento vascular → mais hipóxia → mais ET-1

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Antagonistas de Receptor de Endotelina (ERAs): Revolução no Tratamento de HAP

Bosentan (Tracleer® — 2001, FDA aprovado)

Bosentan = antagonista dual ETA e ETB (doses terapêuticas ETA/ETB ≈1:1):

  • 62,5 mg 2× ao dia × 4 semanas → 125 mg 2× ao dia
  • Estudo BREATHE-1: +92 metros em caminhada de 6 min vs. placebo + menos piora clínica
  • Efeito adverso: Hepatotoxicidade (SGOT/SGPT em 10%) → monitorar hepático mensalmente
  • Teratogênico: Categoria X na gravidez

Ambrisentan (Letairis®/Volibris® — 2007, FDA)

Ambrisentan = antagonista seletivo de ETA:

  • Benefício teórico do ETB: Preservar ETB endotelial (clearance de ET-1 pelo pulmão) + vasodilatação ETB-mediada
  • 5–10 mg 1× ao dia
  • Menos hepatotoxicidade que bosentan
  • Estudo ARIES-1 e ARIES-2: Melhora de distância em caminhada 6 min + menos hospitalização

Macitentan (Opsumit® — 2013, FDA)

Macitentan = antagonista dual ETA/ETB mais potente e lipofílico (penetra tecido):

  • 10 mg 1× ao dia
  • Estudo SERAPHIN: Primeiro a mostrar redução de mortalidade e hospitalização em HAP (HR 0,55)
  • Aprovado também para HAP associada a doença do tecido conjuntivo

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Outros Contextos Clínicos

ET-1 e Função Cardíaca

  • ICC: ET-1 muito elevada em ICC → preditor de mortalidade (melhor preditor que BNP em alguns estudos)
  • ET-1 → cardiomiócito ETA → hipertrofia + apoptose → progressão de ICC
  • Antagonistas de ERA em ICC: Tezosentan (IV) e enrasentan (oral) → estudos REACH e ENABLE não mostraram benefício em ICC; efeito neutro/negativo → ERAs NÃO aprovados para ICC fora de HAP

ET-1 e Esclerodermia

  • Esclerodermia sistêmica: ET-1 muito elevada → fibrose vascular + raynaud grave → HAP associada
  • Bosentan: Aprovado em esclerodermia para prevenção de novas úlceras digitais + tratamento de HAP associada

ET-1 e Síndrome de Raynaud Grave

  • Raynaud grave (secundário à esclerodermia): ET-1 elevada → vasoespasmo digital crônico → úlceras
  • Bosentan 125 mg 2× ao dia: Redução de 30% de novas úlceras em RCT

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Referências

  1. Yanagisawa M, et al. "A novel potent vasoconstrictor peptide produced by vascular endothelial cells." *Nature.* 1988;332(6163):411–415.
  2. Rubin LJ, et al. "Bosentan therapy for pulmonary arterial hypertension." *N Engl J Med.* 2002;346(12):896–903.
  3. Galiè N, et al. "Ambrisentan for the treatment of pulmonary arterial hypertension (ARIES-1)." *Circulation.* 2008;117(23):3010–3019.
  4. Pulido T, et al. "Macitentan and morbidity and mortality in pulmonary arterial hypertension (SERAPHIN)." *N Engl J Med.* 2013;369(9):809–818.
  5. Dupuis J, Hoeper MM. "Endothelin receptor antagonists in pulmonary arterial hypertension." *Eur Respir J.* 2008;31(2):407–415.
  6. Davenport AP, et al. "Endothelin." *Pharmacol Rev.* 2016;68(2):357–418.
Aviso Editorial

Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, produzido pela equipe editorial da Peptídeos Bio com base em evidências científicas disponíveis até a data de publicação. Não constitui conselho médico, diagnóstico ou prescrição terapêutica. Peptídeos de pesquisa não possuem aprovação regulatória da ANVISA para uso clínico. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer protocolo. Leia o aviso médico completo.

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